BLINDAGEM

Base aliada ao governo Saud pede abertura de CPI para apurar funcionamento de radares

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMT
Pedido de abertura da CPI dos Radares foi assinado por oito vereadores da base governista
Pedido de abertura da CPI dos Radares foi assinado por oito vereadores da base governista

Oito horas após vereadores que não integram a base aliada ao prefeito José Saud (MDB) pedirem a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as denúncias de irregularidade relacionadas às terceirizações promovidas na saúde, parlamentares governistas solicitaram a criação de outra CPI na Câmara de Taubaté, para apurar o funcionamento dos radares de trânsito no município.

Essa segunda CPI, de acordo com o pedido de abertura, visa apurar o aumento de 35% no número de multas de trânsito em 2022, no comparativo com 2021.

O pedido de abertura da comissão foi assinado pelos vereadores Dentinho (União), Coletor Tigrão (Cidadania), Douglas Carbonne (Republicanos), Jessé Silva (PL), Marcelo Macedo (MDB), Nunes Coelho (Republicanos), Paulo Miranda (MDB) e Richardson da Padaria (União).

O texto cita ainda que Dentinho será o presidente da CPI, que também será composta por Carbonne, Nunes, Richardson e Macedo. Jessé Silva, Miranda e Tigrão seriam os suplentes.

BLINDAGEM.
Os dois pedidos de abertura de CPI são resultados de uma trapalhada cometida pela base aliada no fim do ano passado, que permitiu que a blindagem ao governo Saud na Câmara fosse superada pela oposição.

Como o Regimento Interno permite que apenas três CPIs funcionem ao mesmo tempo, é costume que as bases governistas abram três comissões no início de cada legislatura, normalmente de temas que não causem embaraço ao prefeito da ocasião, e mantenham os trabalhos até o fim do mandato, impedindo que a oposição promova investigações.

Isso foi feito no início do governo Saud, no primeiro semestre de 2021, com a abertura das CPIs da EcoTaubaté, do IPMT (Instituto de Previdências do Município de Taubaté) e da Zona Azul, que não realizaram nenhuma oitiva até agora.

A blindagem ruiu porque os vereadores que integram a CPI da Zona Azul esqueceram de pedir a prorrogação do prazo, que terminou no dia 30 de novembro de 2022. Com isso, a comissão foi automaticamente extinta e abriu espaço para a criação de uma nova CPI.

DÚVIDA.
O cenário, agora, é de impasse. Há dois pedidos de abertura de novas CPIs, mas apenas uma nova comissão poderá ser instalada, ao menos por enquanto.

Os dois requerimentos foram protocolados na última quinta-feira (5). O primeiro, da CPI da Saúde, às 8h24, com sete assinaturas. O segundo, da CPI dos Radares, às 16h21, com oito assinaturas.

Como os dois requerimentos já atendem ao requisito do número mínimo de assinaturas, que é de sete, essas duas CPIs já poderiam ser consideradas abertas pela Câmara. Em nota enviada à reportagem nessa segunda-feira (9), o Legislativo informou ainda que, nesse caso, “tem que se respeitar a ordem cronológica, sendo aberta aquela que primeiro foi protocolada”.

Ou seja, caso seja respeitada a ordem cronológica, será instalada a CPI da Saúde – o que deve ocorrer após a volta do recesso, em fevereiro. Já a CPI dos Radares só poderia ser instalada assim que uma das outras três comissões fosse encerrada.

No entanto, segundo apuração da reportagem, há temor entre a oposição de que o governo tente convencer ao menos um dos sete vereadores que assinaram o pedido de CPI da Saúde a retirar o apoio ao texto. O documento foi assinado pelos parlamentares Moises Pirulito (PL), Diego Fonseca (PSDB), Elisa Representa Taubaté (Cidadania), Bobi (PSDB), Serginho (PP), Talita Cadeirante (PSB) e Vivi da Rádio (Republicanos).

HISTÓRICO.
Nas últimas legislaturas, as CPIs também ficaram marcadas por trapalhadas e desperdício de trabalho.

Na legislatura de 2013 a 2016, quando o prefeito era Ortiz Junior (PSDB), quatro CPIs foram extintas por perderem o prazo: da Unitau, da Dengue, da Superbactéria e dos Radares.

Na legislatura de 2017 a 2020, ainda com Ortiz no poder, foram mais duas extintas por perderem o prazo: das Enchentes e dos Postes. Além disso, outras três CPIs – da Sabesp, da Essencial e da Covid – foram encerradas em dezembro de 2020 sem divulgar os relatórios finais e sem a votação desses documentos em plenário.

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