Ex-ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos) começa seu mandato como governador de São Paulo em 2023 encerrando a dinastia do PSDB no estado, que durou quase 30 anos – sete eleições seguidas vencidas pelos tucanos até 2018, com João Doria.
Não só o resultado das eleições tirou o PSDB do Palácio dos Bandeirantes como Tarcísio não indicou ninguém do partido para os 26 cargos ocupados no governo, mesmo que tenha tido o apoio do ex-governador Rodrigo Garcia (PSDB) no segundo turno das eleições estaduais.
Na cerimônia de posse de Tarcísio e do vice-governador Felício Ramuth (PSD), no domingo (1º), os tucanos ficaram longe dos holofotes, o que é inédito para o partido que mais governou o estado. Garcia recebeu os novos ocupantes do governo no começo da festa, mas não ficou para a cerimônia de posse.
Um dos nomes mais fortes do novo governo é o presidente nacional do PSD, o também ex-ministro Gilberto Kassab, secretário de Governo e Relações Institucionais de Tarcísio.
Sob a tutela de Kassab, considerado um dos políticos mais experientes e habilidosos do cenário nacional, Tarcísio se coloca como um dos nomes para enfrentar o candidato do governo petista na eleição presidencial de 2026.
Por outro lado, o ex-prefeito de São José dos Campos ficou de fora da lista de secretarias de Tarcísio – Felicio chegou a ser cotado para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico –, mas ganhou uma missão especial do governador: coordenar as ações do Estado na cracolândia paulistana (leia texto nesta página).
Nos bastidores da cerimônia de posse do novo governo, o que se comentava é que uma das estratégias de Tarcísio é de tornar o Republicanos um partido forte em São Paulo, elegendo representantes em regiões dominadas pelo PSDB, como o Vale do Paraíba.
O interior do estado deu ampla vantagem a Tarcísio, que venceu em 566 cidades contra 78 do candidato do PT, o agora ministro da Fazenda Fernando Haddad, que também superou o adversário na capital.
Portanto, as cidades do interior são fundamentais para a estratégica política do Republicanos e de Tarcísio que, mesmo elogiando Bolsonaro na cerimônia de posse, tem dado sinais de distanciamento do bolsonarismo radical.
Quem ganha ascensão junto ao governador é Kassab, cujo partido apoia o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocupando três ministérios: Agricultura, Pesca e Minas e Energia.
Soma-se a Kassab o vice-governador Felicio Ramuth, que deixou o PSDB após 30 anos para assumir o maior cargo da sua carreira política no PSD, partido que também tem pretensões de crescer em São Paulo.
“Na verdade, temos agora dois partidos no governo se fortalecendo no estado e com possibilidade de assumir esse eleitorado mais conservador, antes dominado pelo PSDB. Vai ser interessante observar os próximos movimentos”, disse uma fonte a OVALE durante a posse de Tarcísio.
Para conquistar duas das principais regiões do interior, Tarcísio já confirmou que seu governo deve fazer a licitação para implantar o Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas, que é a primeira fase do projeto.
Em entrevista, Felicio confirmou que a segunda fase, que vai ligar a capital a São José dos Campos, também pode ser contemplada com ao menos o projeto feito nos primeiros seis meses deste ano. A segurança pública também deve ser uma das prioridades do governo Tarcísio para a RMVale, líder da violência no interior do estado desde 2010.