FEMINICÍDIO

Violência avança e número de feminicídios dobra no Vale em um ano

Por Thais Perez | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
OVALE
Divulgação
As vítimas tinham de 19 a 80 anos e, em sua maioria, foram mortas em suas residências
As vítimas tinham de 19 a 80 anos e, em sua maioria, foram mortas em suas residências

O mais grave resultado da violência contra a mulher, o feminicídio, dobrou na RMVale em um ano. Em 2021, foram registrados 4 casos no total e em 2022, houveram 8 casos até o mês de novembro.

Como uma rachadura em uma parede que aparece como um sinal iminente de uma ruptura, o feminicídio é decorrente da violência doméstica e familiar. A tipificação do crime diferencia de um homicídio que tem a mulher como vítima.

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O feminicídio tem como ‘requisito’ a pré-existência de um histórico de algum tipo de violência, cometida na maioria das vezes por um companheiro ou companheira, além do desprezo à condição feminina.

Todas as mulheres vítimas de feminicídio até novembro do ano passado foram mortas por um ex-companheiro ou atual. As motivações mais recorrentes foram ciúmes e a não aceitação do fim do relacionamento.

As vítimas tinham de 19 a 80 anos e, em sua maioria, foram mortas em suas residências por pessoas com quem tinham total confiança.
 
VÍTIMAS.
Juliana Fernandes Cândido, de 19 anos, estava saindo do seu curso de enfermagem quando foi abordada pelo ex-namorado, de 17 anos. Eles vinham discutindo há alguns dias, porque Juliana queria terminar o relacionamento, mas seu companheiro não. Em mensagens, ele afirmou que Juliana não iria terminar com ele.

Ele se aproximou de Juliana, que andava em direção ao carro do pai, que havia ido buscá-la, e disparou contra sua cabeça. O crime aconteceu em maio de 2022.

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Bianca Fortunato, de 34 anos, foi morta no dia 2 de junho pelo namorado após uma discussão por ciúmes em Caçapava. Ela foi espancada, atacada com socos e chutes no rosto, na rua. Moradores escutaram seus gritos. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

CAUSAS.
A militante Ingrid de Sá, da Frente Feminista de São José dos Campos, afirma que a violência contra a mulher é sistêmica e resultado de noções enraizadas na sociedade. “Tivemos um aumento do conservadorismo, que diz que mulheres precisam ser submissas, o estímulo à compra de armas, tudo é estrutural e foi ressaltado nos últimos quatro anos de governo”, opina ela.

Ela ressalta que, apesar de existirem projetos contra esse tipo de violência e abrigos, eles não são suficientes para apoiar o número crescente de vítimas na região. “As delegacias não abrem no final de semana, não funcionam 24 horas por dia. Os projetos que existem, sobrevivem por conta de mulheres militantes”, completa.

Em entrevista a OVALE, Jamila Jorge Ferrari, delegada de Polícia Coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo explicou que a prevenção é a principal ferramenta direta contra o feminicídio.

"A prevenção começa principalmente na educação, na escola, dentro de casa. Formar as crianças para entender que homens e mulheres são diferentes, mas que temos sempre os mesmos direitos", ressalta ela. "Temos que ensinar aos homens a ouvir o 'não'. A prevenção é essencial para que eles entendam que o 'não' faz parte da vida, assim como o 'sim' faz", afirma Jamila.

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