Nascido em Caxambú (MG), José Roberto de Castro Morais, 58 anos, conhecido como Roberto do Eleven, foi eleito presidente da Câmara de São José dos Campos em seu terceiro mandato como vereador da cidade.
Comerciante, ele disse que a experiência administrativa o levou a tornar-se vereador e as atividades que desempenhou na Câmara, em várias comissões, o levaram à presidência.
Nesta entrevista, ele fala do que pretende fazer, da relação com o Executivo e da primeira polêmica antes mesmo de assumir o cargo, em janeiro de 2023. Confira.
Por que quis ser presidente da Câmara?
Não é querer. É ser companheiro dos vereadores e orientá-los. Sempre fiz esse papel. Fui presidente da Comissão de Ética, relator da Comissão de Economia, revisor da Justiça. Sempre fiz parte das comissões mais importantes da Câmara de São José dos Campos. Aí, conversando com colegas e amigos, eles viram a possibilidade de eu ajudar com a governabilidade. Tem que fazer esse meio de campo com os vereadores e ver o que é importante para a cidade. Fiz um trabalho, acabei me tornando uma liderança e coloquei o meu nome à disposição, e acabei sendo eleito por 16 votos. Foi um caminho natural, como foi o de me tornar vereador, sendo bem votado desde a primeira vez.
O sr. é do grupo que comanda a Câmara. Há algo que pretenda mudar?
Hoje precisa melhorar o controle de acesso para verificar quem entra e quem sai, para a segurança dos trabalhadores da casa e dos munícipes. Creio que o presidente atual vá fazer isso, porque a Câmara é um trabalho para a cidade. O sistema de controle já está lá, mas é preciso melhorar. Não é proibir ninguém de entrar, porque lá é a casa do povo, mas é preciso saber o que a pessoa vai fazer, se vai encontrar algum vereador ou procurar alguém. É preciso melhorar a questão da segurança. Acho legítimo a população ir à Câmara, mas é preciso saber quem esteve lá. Se algo acontecer, podemos identificar quem esteve lá.
O presidente não governa sozinho, então vou conversar com os vereadores para saber o que precisa fazer para melhorar na Câmara. Tem que respeitar o mandato de todos os vereadores. Eles têm que opinar. A tendência é melhorar.
O sr. faz parte da base do governo. Como vai atuar para manter a independência entre os poderes, principalmente em relação à prefeitura?
Sempre fui um vereador independente. A bancada do governo é para ver os projetos, melhorá-los, fazer emendas. Não vejo dificuldade nenhuma da governabilidade da Câmara com relação ao prefeito. O Felicio [Ramuth] fez um bom trabalho por São José, o Anderson [Farias] continua esse trabalho e é a parceria para a cidade crescer. Não é a parceria entre presidente da Câmara e o prefeito, mas para a cidade. E até agora não tenho nada que desabone os prefeitos, que sempre fizeram um bom trabalho. São José é a primeira cidade inteligente no Brasil. Esse mérito é do prefeito, que faz um bom trabalho.
Mas o sr. teria independência para barrar algum projeto do prefeito?
Sim, iria conversar e apontar que precisa melhorar alguma coisa, fazer alguma emenda no projeto. O Anderson escuta os vereadores. Tem projeto que vai lá e a gente vê as emendas que cabem. Mas tem vereador que quer fazer emenda impossível. Como na LDO, quando o vereador quer pegar verba da saúde e por no esporte e outras coisas assim, e é por isso que reprova. Às vezes, o vereador faz alguma emenda só para fazer politicagem. Como presidente da Câmara, eu não vou aceitar esse tipo de coisa. O que é certo é certo. Melhore o projeto no que pode ser feito.
Essa questão da independência, inclusive, foi citada pela vereadora Dulce Rita, também do PSDB, que declarou seu apoio em seu adversário e acusou a escolha do sr. como "submissa". Como vê essa polêmica?
A Câmara tem que ser independente e os vereadores têm que ter a opinião deles. É legítimo o vereador falar, se expressar. Se perde, fica mesmo chateado, mas tem que dar essa liberdade para o vereador falar o que pensa e votar em quem quiser. Isso é democracia. Não levei para o lado pessoal. Ela é vereadora e tem o direito de falar e pensar o que ela acha.
Como espera deixar a Câmara após seu mandato?
Tem que deixar a Câmara organizada, correta e bem arrumada, para não deixar tudo bagunçado. O Robertinho [da Padaria], se entregasse a Câmara hoje, estaria tudo certo. Tenho que fazer a mesma coisa.
E quanto ao município? Em quais áreas a cidade precisa melhorar?
A saúde, por exemplo, tem sempre que melhorar, ainda mais depois da pandemia e da crise econômica, que levou muita gente para o SUS. As pessoas reclamam da saúde, mas há lugares pior do que aqui, mas sempre tem o que melhorar. A educação também, com novas escolas entregues nos últimos anos. Se contar a zeladoria da cidade, os cuidados. A cidade do porte de São José sempre terá alguma coisa para melhorar, não pode parar. Não é crítica ao prefeito, é a realidade da cidade.
O que acha da gestão Anderson Farias até o momento?
O Felicio saiu e deixou a cidade redonda e o Anderson está cuidando bem de São José e cumprindo bem o seu papel. Acho que vai melhorar ainda mais. O Anderson já estava na prefeitura e tem experiência na administração. A tendência é melhorar ainda mais.
Você será o presidente da Câmara nas eleições de 2024. Se o PSDB tiver candidato contra o Anderson em 2024, isso mudaria sua atuação?
Estou no terceiro mandato e a gestão do PSDB, com o [Eduardo] Cury, Felicio e o Anderson, sempre teve liberdade e autonomia para apoiar outro candidato. Não vejo problema nenhum em trabalhar para algum candidato do meu partido e nem mudar a relação com o Anderson. A minha gestão será republicana. Quem faz isso está contra a cidade, e não quero fazer isso. Quero governar a favor da cidade. Daqui a dois anos, é outra conversa e nem pensei nisso ainda. O presidente da Câmara tem que ajudar a governar pela cidade.