SÃO JOSÉ

Bolsonaristas do DCTA culpam 'comunistas infiltrados' por atos de vandalismo em Brasília

Por Gabriel Campoy | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Naiara Oliveira / OVALE
Acampamento bolsonarista em frente ao DCTA, em São José
Acampamento bolsonarista em frente ao DCTA, em São José

Os atos de vandalismo e as suspeitas de terrorismo em Brasília que marcaram o noticiário nos últimos dias são obras de “comunistas infiltrados”. Pelo menos é essa a narrativa que permeia entre bolsonaristas concentrados há quase dois meses em frente ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeronáutica), em São José dos Campos.

“Você pode conferir na internet vídeos que comprovam isso [os "comunistas infiltrados"]. Todos nós sabemos que foi uma ação premeditada. Não são vestimentas e nem o modus operandi que o povo conservador usa para protestar. Fogo em ônibus, vandalismo, você nunca verá isso aqui. O outro lá, que queria explodir o aeroporto, é a mesma coisa”, disse.

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Além disso, de acordo com uma das principais vozes dos manifestantes, a ‘vigília’ terá fim para boa parte dos resilientes bolsonaristas que ainda se encontram no local. A contestação ao resultado das eleições, no entanto, permanece. “Minha estadia aqui acaba no dia 31 de dezembro. Vou recolher minhas coisas e ir para casa. Todos sabem que as urnas foram fraudadas e o código-fonte não foi entregue”, afirmou um dos homens no local, contrário à eleição de Lula (PT).

O apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) – que não quis se identificar – ainda destacou que sua ideia de se manter no acampamento montado em frente ao DCTA apenas até o dia 31 será seguida por muitos manifestantes. “Não sou porta-voz de ninguém. Estarei lá apenas até o dia 31. Sei que muita gente fará o mesmo, mas não acredito que esse pensamento seja unanimidade”.

O bolsonarista ainda destaca que ao contrário de muitos que voltarão para suas casas, alguns apoiadores viajarão para Brasília como forma de 'apoiar' os manifestantes que estão por lá. “Muita gente de São José dos Campos está indo para Brasília. Eu não irei. Mas seguimos acreditando, com fé, que Luiz Inácio não subirá a rampa [do Palácio do Planalto]”.

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Marcada para o dia 1º de janeiro, a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva vem sendo marcada por diversas ameaças. O assunto traz preocupação para diversos setores das forças de segurança da presidência da República.

PROTESTOS
Bolsonaristas descontentes com o resultado das eleições se concentram em frente aos quartéis de todo o país há quase dois meses. Poucos dias após o segundo turno presidencial, apoiadores do atual presidente começaram a se aglutinar em áreas militares ao redor do país para pedir o que chamavam de "intervenção federal". A medida, de fato, existe, mas diferentemente do explanado pelos radicais, não prevê uma interferência das Forças Armadas no resultado das eleições.

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As chamadas "próximas 72h" e o artigo 142 da Constituição Federal foram outras das narrativas mais usadas pelos protestantes durante o período que se passou após o fim das eleições presidenciais.

No entanto, antes da mobilização generalizada de bolsonaristas ao redor do país, o primeiro grande ato de descontentamento com a vitória de Lula veio no dia seguinte ao resultado do pleito, com caminhoneiros parando diversas rodovias ao redor do país. No Vale do Paraíba, trechos da Dutra em São José dos Campos, Jacareí e Taubaté também tiveram atos da categoria. A paralisação durou cerca de uma semana, já que com a ação da PRF (Polícia Rodoviária Federal) os atos se dispersaram.

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