Barracas montadas, colchonetes, tendas que funcionam como cozinha e ajuda de estabelecimentos nas redondezas para necessidades básicas. É assim que manifestantes contrários à vitória de Lula (PT) nas eleições presidenciais se concentram em frente ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica), em São José dos Campos.
Se no início o movimento tinha como gande mote pautas a favor do atual presidente Jair Bolsonaro (PL), agora, os manifestantes já tentam disassociar o nome do presidente. “Não é por Bolsonaro, é pelo Brasil”, dizem os presentes. As pautas do protesto são repetidas de forma entrosada por qualquer um que seja questionado dos motivos do acampamento: luta contra o comunismo, uma possível fraude no pleito presidencial e o clamor por uma chamada "intervenção federal” das Forças Armadas.
No ambiente, com a grande maioria devidamente trajada de verde a amarelo, a presença majoritária é de homens, em geral brancos e também idosos. Contudo, não é difícil encontrar mulheres com bandeiras do Brasil ou grupos de jovens com mochilas nas costas.
Entre as barracas, também funciona uma cozinha comunitária. Manifestantes se revezam entre o ato de comer e preparar os alimentos. No local é servido café da manhã, almoço e jantar. “Todos são voluntários, ninguém aqui tem líder”, diz uma mulher do lado de dentro do balcão. Questionada sobre a possibilidade de conversar com a reportagem, ela se nega e afirma que “a mídia distorce as coisas”. “Obrigado, fique à vontade, mas ninguém aqui vai dar entrevista”, afirma.
“Não podemos cobrar de forma alguma. Os empresários aparecem aqui, doam os alimentos, sem nenhum custo. Não seria justo comercializarmos”, diz um dos presentes, que explica que os alimentos usados são doados por empresários da cidade, sem citar nomes.
Além dos manifestantes, pessoas em situação de rua também são recebidos para se alimentar. A presença deles, no entanto, tem opinião dividida entre muitos dos que estão ali. Enquanto alguns os recebem de braços abertos, outros não sentem a mesma tranquilidade. “Favelados”, afirmou um homem, enquanto saia da tenda.
Outro manifestante revela que também há atuações de "controladores de ânimos", em suas palavras. Consumo excessivo de bebidas alcoólicas e sons altos foram proibidas no local. Em um dos postes, inclusive, um aviso 'proíbe' a ingestão de álcool nas redondezas do protesto.
ACAMPAMENTO.
Uma das manifestantes que aceitou conversar com OVALE, Luciana, que não indicou sobrenome ou profissão, afirmou que a presença da imprensa no local é importante para dar visibilidade ao “projeto social” que a manifestação promove. Segundo ela, o protesto é diferente de “qualquer coisa vista em paralisações da esquerda”.
“É bom vocês estarem aqui e mostrarem o que nós estamos fazendo. Moradores de rua aproveitam, param, comem com a gente. É isso que nós queremos, deixar um legado também. É diferente da esquerda. Olhe para o chão. Aqui nós todos trabalhamos em equipe para juntar o lixo e não deixar nenhuma sujeita. É diferente. Estamos aqui pelo Brasil”, diz a mulher, sob o olhar desconfiado de um casal de idosos sentados ao lado, em uma cadeira de praia.
Luciana é voz quase que solitária ao concordar a conversar com a reportagem no local. Em grande parte, os abordados, de forma arisca, se negam a conversar ou a falarem por mais de um minuto. Em alguns casos, beira-se a hostilidade. “Não quero falar com você, se quisesse estaria aí”, diz um senhor com uma camisa da seleção brasileira.
PROTESTO.
Na quarta-feira (9), o Ministério da Defesa enviou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o relatório elaborado pelos militares sobre a apuração do segundo turno das eleições presidenciais, afirmando que não vê indício de fraude eleitoral.
Contudo, alguns manifestantes, apoiadores do presidente Bolsonaro, se apegam a termos usados no documento, como o que afirma que o código fonte das urnas “não está isento de possíveis violações” -- manifestantes defendem ser um sinal de que a apuração dos militares foi impedida de ser efetuada em sua totalidade. “Achamos ótima [a nota do Ministério da Defesa]. Eles dizem ali que não conseguiram realizar a investigação de forma ampla. Não foi permitido aos militares que pudessem averiguar inteiramente o necessário”, diz um deles.
Outro manifestante, que também comemorou a nota da pasta, diz que não há prazo para o fim do acampamento -- que já dura mais de dez dias. “Até o Lula cair”.
Comentários
3 Comentários
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Ricardo Luiz Vedovello 16/11/2022Não sou petista nem bolsonarista, apenas aceito o resultado das urnas. O que me incomoda é a quantidade de carros estacionados com as 4 rodas em cima da calçada, ou em local proibido (acesso à via Dutra), com papelão cobrindo as placas. Será que qualquer um pode fazer isso em qualquer lugar de sjc? -
Donizetti 11/11/2022Empresários da cidade bancando esses desocupados a cometerem crimes , Xandão da uma atenção aqui pra SJC . -
Policarpo Quaresma 11/11/2022Pois então estes acéfalos ficarão 4 anos acampados ai. E depois ainda dizem que petista é vagabundo, vai entender.