PANDEMIA

Com flexibilização e baixa imunização, China tem nova onda de Covid-19

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução / Redes Sociais
Casos de Covid-19 na China estão em aumento exponencial, segundo estudos internacionais
Casos de Covid-19 na China estão em aumento exponencial, segundo estudos internacionais

A volta dos que não foram ou Eles estão entre nós.

O velho dito popular e o título de um filme de ficção científica servem para descrever o momento da pandemia de Covid-19 na China, país que detectou o primeiro caso no mundo há três anos.

De acordo com análises internacionais, a China registra perto de 1 milhão de infecções por Covid-19 e 5.000 mortes por vírus todos os dias. A previsão é de que o país asiático de 1,4 bilhão de habitantes enfrente o maior surto da doença que o mundo já viu.

Oficialmente, a China registrou 2.966 novos casos na última quarta-feira (21), com menos de 10 mortes por Covid desde o início de dezembro. Entretanto, os números do governo chinês contrastam com os crescentes relatos de que os hospitais estão sobrecarregados com pacientes e os crematórios vêm funcionando muito além da capacidade.

Mas o pior pode estar por vir, de acordo com a Airfinity, empresa de pesquisa com sede em Londres que se concentra em análises preditivas de saúde e acompanha a pandemia desde que ela surgiu. A nova onda da Covid-19 na China pode aumentar a taxa diária de casos para 3,7 milhões em janeiro e para 4,2 milhões em março.

“A OMS está muito preocupada com a evolução da situação na China. Para efetuar uma avaliação completa do risco da situação, a OMS precisa de informações mais detalhadas sobre a gravidade da situação, como os números das internações hospitalares e a necessidade do uso de unidades de terapia intensiva”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), durante coletiva em Genebra, na Suíça, na última quarta-feira (21).

O motivo para a preocupação com a China é que o país, após quase três anos, afrouxou a política da “Covid Zero” em meio a protestos populares contra as duríssimas restrições sanitárias. As manifestações ocorreram durante uma nova onda de contágios, que fez a nação bater recordes diários.

Outro fator de risco é a baixa quantidade de chineses que tomaram a dose de reforço da vacina contra a Covid-19. Apesar de ter praticamente toda a população vacinada com as duas primeiras doses, nem 60% das pessoas, especialmente idosos, tomaram a injeção de reforço.

Um dos entraves para a imunização completa da população é que o governo chinês se nega a aceitar imunizantes produzidos em outras nações, o que faz com que os habitantes não tenham os benefícios do mix de tecnologias como em outros locais do mundo.

O temor da OMS é que essa soma de fatores faça a China atingir até um milhão de mortes em 2023 se o plano de aceleração de vacinação não funcionar. Outro risco é que novas mutações possam surgir por conta dos contágios em massa no país.

Capturar com precisão a situação da Covid-19 na China é fundamental para a definição do enfrentamento da doença no mundo no próximo ano, como apontou o diretor-geral da OMS. A China é um dos principais dispersores da doença pelo mundo, como ocorreu no início da pandemia. De milhares de casos no país asiático, o coronavírus passou a milhões em todo o planeta em poucos meses.

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