Distúrbio Federal.
Com sinais dúbios do presidente Jair Bolsonaro (PL), tensão se eleva e Brasília entra em alerta máximo após atos violentos, que terminaram com veículos incendiados e tentativa de invasão à sede da Polícia Federal.
A segurança foi reforçada na capital do país e ao redor do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A 15 dias da posse do petista, Brasília tem tensão máxima.
Não foi apenas a polícia que se mobilizou. Depois de duro discurso na diplomação de Lula, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alexandre de Moraes, assinou mais de 100 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal, com prisão de envolvidos em atos golpistas. Tudo foi cumprido pela Polícia Federal.
Em Santa Catariana, um dos estados em que Bolsonaro teve mais votos, os agentes apreenderam 11 armas, dentre elas uma submetralhadora, um fuzil, além de rifles com lunetas.
Com isso, o clima em Brasília, como pode-se notar pelo andamento dos acontecimentos, é de extrema preocupação com o que pode ocorrer na posse de Lula e do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), no primeiro dia de 2023.
Golpistas insistem em ameaçar dizendo que Lula e Alckmin não subirão a rampa do Palácio do Planalto, como se a medida fosse deliberada por seguidos de Bolsonaro.
Aliás, o próprio presidente insiste em manter os atos antidemocráticos e a militância radical mobilizada com discursos dúbios e enviesados de supostas ‘entrelinhas’, tais e quais apitos de cachorro – como se apenas os fiéis seguidores pudessem ouvi-las.
Aconteceu na sexta-feira (9), em frente ao Palácio da Alvorada, quando Bolsonaro se dirigiu a um grupo de apoiadores pela primeira vez após quase 40 dias de reclusão e silêncio. Em frente à residência oficial, o presidente falou pela primeira vez desde o fim das eleições em que foi derrotado por Lula.
“Quantos amigos nós perdemos por falar a verdade para eles? Quantas vezes nós nos irritamos quando alguém diz a verdade para nós? E hoje estão vivendo um momento crucial, uma encruzilhada, um destino que o povo tem que tomar. Quem decide o meu futuro, para onde eu vou, são vocês. Quem decide para onde vai as Forças Armadas são vocês, quem decide para onde vai a Câmara e o Senado, são vocês também”, disse.
O atual mandatário, mais uma vez, não reconheceu abertamente a sua derrota nas urnas. No entanto, assumiu a responsabilidade por “erros” (sem especificar quais) e pediu a seus apoiadores para não o criticarem “sem saberem tudo o que está acontecendo”.
Se algo der errado é porque eu perdi a minha liderança. Eu me responsabilizo pelos meus erros. Mas peço a vocês: não critiquem sem ter certeza absoluta do que está acontecendo”.
E manteve o caráter dúbio de suas declarações: “Eu dou a minha vida pelo meu país. Podemos mudar o futuro da nossa nação. Vamos acreditar, vamos nos unir, vamos procurar alternativas e deixar que todos vejam o que podem fazer pelo nosso país”.
Nos grupos bolsonaristas, as teses se reforçaram de que Bolsonaro estaria dando sinais para que a mobilização continuasse em frente aos quartéis até que o resultado da eleição fosse revertido, expectativa sem qualquer chance de prosperar.
“Estou pronto para receber o ‘presente de Natal’ que o presidente Bolsonaro preparou, com total paciência, para entregar na forma extemporânea”, escreveu um capitão da reserva da Aeronáutica em um grupo de mensagens entre bolsonaristas.
Para o militar, a frase “nada está perdido" dita por Bolsonaro é sinal de que a eleição poderá ser revertida, tese que alimenta a mais esdrúxulas teorias da conspiração. Para piorar a situação, Bolsonaro ainda repetiu que as Forças Armadas são o último obstáculo ao socialismo.
REAÇÃO
Normalmente discreto em suas declarações, Alckmin afirmou que os atos antidemocráticos são “coisa de menino mimado”.
“Atentar contra a democracia é crime e deve ser tratado dessa forma. Tem que ter paciência, o Executivo, resiliência. Isso é coisa de menino mimado, que perde o jogo, pega a bola e leva embora", disse o vice-presidente eleito.
Para ele, não se pode brincar com a democracia, que ele chamou de “um valor, um princípio basilar”. “Eu, estudante de medicina, me filiei ao velho MDB para ajudar na redemocratização do país. Autocracia é um governo pessoal, de vontade pessoal, e democracia é o povo”.
POSSE
Flávio Dino (PSB), indicado ao Ministério da Justiça por Lula, disse que a posse do petista deverá ter o suporte de três sistemas de segurança: Polícia Federal, Polícia Militar (e as demais forças do Distrito Federal) e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional).
Dino condicionou a participação do GSI ao desenvolvimento de um diálogo com a equipe de transição. A pasta é ligada à Presidência da República e comandada pelo general Augusto Heleno, um dos ministros mais próximos de Bolsonaro. Na última quarta-feira (14), agentes do GSI se retiraram da posse do presidente do TCU Bruno Dantas antes do final e geraram mal-estar com a equipe de segurança de Lula.
GENERAL CHINÊS
Nem tudo o que vem da China desagrada aos bolsonaristas mais radicais. Autoproclamados ‘anticomunistas ferrenhos’, mesmo misturando alhos com bugalhos, eles agora passaram a divulgar nos grupos de mensagens textos atribuídos ao general e filósofo chinês Sun Tzu, autor de ‘A Arte da Guerra’.
Um dos preferidos é o que diz que deve-se fingir estar “fraco que seu inimigo se tornará arrogante e frágil nas falhas, gerando meios para você atacar como um raio sem chance de reação do oponente”. Outro manda deixar os “planos serem escuros e impenetráveis ??como a noite. Assim, quando você se mover, ataque de surpresa como um raio no adversário distraído e desatento”.