Universidades públicas cobram do MEC (Ministério da Educação) o pagamento de bolsas dos programas da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), suspenso na semana passado por decreto federal.
O corte provocou uma onda de protestos em todo o país. Na última quinta-feira (8), pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que recebem bolsa pela Capes protestaram contra os cortes, que afetou 150 estudantes bolsistas do Inpe, em São José dos Campos.
Segundo representantes do movimento, alunos de mestrado recebem R$ 1.500 por mês, alunos de doutorado R$ 2.200 e R$ 4.100 para pós-doutorado.
“Toda a área de pesquisa e desenvolvimento de nossos sistemas de monitoramento, dos satélites e toda a tecnologia produzida na instituição estão afetadas. Temos um contrato de exclusividade e dependemos totalmente do valor dessas bolsas", disse Isadora Haddad, uma das bolsistas do Inpe.
“O corte das bolsas é, sob todo e qualquer ponto de vista, um equívoco completo. É lamentável que a ciência brasileira, que depende em grande medida de nossos bolsistas de pós-graduação, esteja na iminência de passar por esta situação: a de bolsas não serem pagas”, disse Antonio José de Almeida Meirelles , reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Após a pressão de universidades, pesquisadores e entidades, o MEC anunciou a liberação de R$ 50 milhões para o pagamento de bolsas da Capes dos programas destinados à formação de professores para a educação básica. A coordenação, porém, ainda precisa de R$ 150 milhões para o pagamento das bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado no país.
“Essa liberação, embora resulte na quitação integral dos compromissos assumidos pelos referidos programas, ainda é insuficiente para permitir à Capes honrar todos os seus compromissos legitimamente assumidos”, informou a Capes, em nota.
Vinculada ao MEC, a Capes é uma das instituições mais afetadas pelos bloqueios orçamentários federais. Os cortes determinados pelo governo federal bloquearam recursos de aproximadamente 200 mil bolsas da Capes.
Segundo a coordenação, os R$ 50 milhões, de um total de R$ 200 milhões solicitados, serão utilizados para o pagamento das bolsas de menor valor.
Pró-reitora de Pós-Graduação da Unicamp, Rachel Meneguello informou que a pressão da sociedade deu resultado e as bolsas dos pesquisadores devem voltar a ser pagas nos próximos dias.
Na última sexta-feira (9), em reunião, o grupo de educação da transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu que haverá um aumento de pelo menos 40% para as bolsas oferecidas pela Capes.