ELEIÇÕES

De saída do Planalto, Bolsonaro deixa governo com mais militares do que ditadura

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação / Marcos Corrêa / PR
Bolsonaro e militares em cerimônia comemorativa ao Dia do Exército
Bolsonaro e militares em cerimônia comemorativa ao Dia do Exército

As botas no Palácio.

Derrotado nas urnas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) deixa como marca a formação do governo mais militarizado desde a ditadura, com militares da ativa e da reserva ocupando cargos no governo federal – muitos deles acumulando salários.

Na conta do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), será necessário retomar o caráter civil do governo federal e tirar quase 8.000 militares de cargos comissionados, como disse o petista em evento na sede da CUT (Central Única dos Trabalhadores), em São Paulo, em abril deste ano.

“Nós vamos ter que começar o governo sabendo que vamos ter que tirar quase 8.000 militares que estão em cargos de pessoas que não prestaram concurso. Vamos ter que tirar. Isso não pode ser motivo de bravata, tem que ser motivo de construção”, afirmou Lula.

A forma de afastar os integrantes das Forças Armadas dos cargos de comissão no governo tem sido discutida no entorno de Lula desde o ano passado, além de ter sido presença constante nas falas do então candidato em 2022, o que mexeu ainda mais com interesses pouco republicanos nas casernas.

Na avaliação da cientista social Suzeley Kalil, professora da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e pesquisadora do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional, o clima é o mais tenso entre um governo civil e militares desde a década de 1960, quando eclodiu o golpe e os militares tomaram o poder.

Autora de livros como “A militarização da burocracia”, Suzeley vê com bastante preocupação a presença de militares no governo Bolsonaro. Para ela, ficou evidente que a militarização não atendeu apenas a um desejo do presidente derrotado, mas veio diretamente dos quartéis.

“Do ponto de vista político, ninguém pode gostar do que está acontecendo, se minimamente pensar no que é um estado de direito. Não significa que os militares não participem da formulação de políticas, mas o que não podem é participar como vem ocorrendo no Brasil, sem nenhum controle. Existem três poderes que têm que ser respeitados”, afirmou.

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