EXPORTAÇÕES

Participação das exportações da RMVale e RMC cai 60% desde 2001

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Produção de aviões na Embraer, maior exportadora de aeronaves do país
Produção de aviões na Embraer, maior exportadora de aeronaves do país

Duas das regiões mais industrializadas do país, o Vale do Paraíba e a região de Campinas vêm perdendo espaço na balança comercial brasileira nos últimos 20 anos, de acordo com levantamento de OVALE com dados oficiais do Ministério da Economia.

Ambas as regiões perderam até 60% de participação no total das exportações brasileiras em duas décadas, com parte significativa desta redução registrada nos últimos quatro anos, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os notórios conflitos de Bolsonaro, seus filhos e até de ministros com nações estrangeiras, como China, França e Estados Unidos, foram prejudiciais ao comércio exterior nacional, impactando fortemente as regiões de Campinas e da RMVale.

Soma-se a isso a pandemia do coronavírus, que derrubou alguns setores do mercado global, como o de aeronaves.

Também pesa a crise econômica que se arrasta no Brasil desde 2014, provocando desindustrialização e falta de estabilidade suficiente para um período de avanço consistente do comércio exterior.

“O resultado do incentivo ao consumo e da manutenção da política de abertura econômica foi a intensificação das importações de produtos industrializados, resultando no aumento do déficit externo brasileiro”, analisa o economista Edson Trajano, doutor em História Econômica e professor da Unitau (Universidade de Taubaté).

“A ausência de uma política industrial com incentivo à elevação da produção nacional tem correlação direta com a integração subordinada do país à divisão internacional do trabalho, pois favoreceu a fragilização do Estado nacional nas últimas décadas.”

NÚMEROS

Em 2001, a RMVale exportou US$ 5,32 bilhões e conseguiu uma participação de 9,17% no total da balança comercial brasileira, que foi de US$ 58,03 bilhões. No mesmo ano, as cidades exportadoras da RMC venceram US$ 2,50 bilhões ao exterior, o que representou 4,32% das exportações nacionais.

No período do governo Bolsonaro, a RMVale acumula US$ 38,4 bilhões exportados, volume que representa 3,88% das exportações brasileiras (US$ 991,7 bilhões), queda de 57,71% frente ao que representava em 2001.

A queda foi ainda maior na região de Campinas. Os municípios exportadores da RMC venderam US$ 17,3 bilhões nos últimos quatro anos e ficaram com a fatia de 1,75% do comércio exterior nacional, uma redução de 59,44% na comparação com 2001.

Ambas as regiões tiveram uma queda percentual ainda maior do que o estado de São Paulo, que exportou 21,96% do total vendido pelo país entre 2019 e 2022 contra 40,53% em 2001, uma diminuição de 45,82% na participação paulista no total de balança comercial brasileira.

Na avaliação de Trajano, a falta de uma política de incentivo à industrialização no país cobra um preço caro das duas regiões.

“Com a ausência de uma política industrial nacional, a tendência é o agravamento da crise no setor, ampliando a desnacionalização e a desindustrialização do país”.

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