Acampados em frente ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia), em São José dos Campos, grande parte dos manifestantes bolsonaristas não acompanhou a estreia da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo nesta quinta-feira (24). Segundo o depoimento de um deles, “futebol não é prioridade no momento”.
Apesar de boa parte do movimento que apoia o atual presidente Jair Bolsonaro estar ligada a camisas da CBF, como foi possível observar em grandes protestos organizados ao longo dos últimos quatro anos, o período de Copa do Mundo para a militância, neste momento, não surte tanta importância.
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Contudo, alguns deles afirmam que até gostam do futebol e da seleção nacional, mas em decorrência do cenário pós-eleições preferem não se juntar à torcida. “Gosto sim de futebol. Sempre que vou ao exterior o Brasil é reconhecido pela força de sua seleção. Fiquei feliz, inclusive, em saber que o time ganhou hoje. Mas, para mim, neste momento, a Copa do Mundo não é a principal das preocupações. Fiquei aqui durante o jogo e não assisti”, afirma um dos protestantes.
Em um vídeo que a reportagem teve acesso, é possível ver um número considerável de apoiadores bolsonaristas em frente ao DCTA, por volta das 16h, cantando o hino nacional brasileiro. No entanto, mesmo com a presença maciça de camisas verdes e amarelas, uniformes futebolísticos da seleção brasileira se tornam raros.
A razão, talvez, seja a visão adotada por parte dos manifestantes em relação ao Mundial do Qatar. Eles acreditam ser “alienação” torcer para a seleção em um momento que, segundo eles, o Brasil corre riscos de “entrar no comunismo”.
Mas nem todos seguiram à risca o combinado de ignorar o time de Tite na Copa do Mundo. Segundo um dos protestantes presente na concentração em frente ao DCTA, muitos foram assistir ao jogo e depois retornaram ao local. “Não é uma regra [não assistir ao jogo]. Alguns foram assistir e depois voltaram aqui para nos dar força. Gosto de futebol, mas, pessoalmente, para mim não é a prioridade agora. Não assisti e nem assistirei nenhum dos jogos”, complementou.
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PROTESTOS
Há mais de três semanas, em centenas de cidades pelo Brasil, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro se concentram em frente a quarteis pedindo “intervenção federal” às Forças Armadas. O ato é considerado antidemocrático, já que não tem nenhum aparato constitucional.
Eles repetem efusivamente que não acreditam na vitória do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que as urnas teriam sido fraudadas para que o petista saísse vencedor.
Em São José dos Campos, o movimento se aglutina em frente ao DCTA. Durante dias, manifestantes com a camisa do Brasil protestam com faixas de dizeres inconstitucionais como “FFFA: Intervenção Federal Já”. O protesto conta, inclusive, com tendas onde algumas pessoas chegam a posar no local, além de cozinhas comunitárias que servem quatro refeições diárias.