RESISTÊNCIA

RMVale tem queda de 57% nas mortes em confronto com a polícia em 2022, diz SSP

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Neste ano, oito mortes ocorreram em confrontos com a Polícia Militar em serviço
Neste ano, oito mortes ocorreram em confrontos com a Polícia Militar em serviço

Depois de recorde histórico de mortes em confronto com a polícia em 2020 e 2019, o Vale do Paraíba reduziu o número de óbitos neste ano na comparação com o ano passado, que já havia sido menor do que 2020, de acordo com dados oficiais da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública).

A região acumula nove mortes em confronto com a polícia entre janeiro e setembro de 2022, a menor quantidade deste os oito óbitos de 2013.

Trata-se de queda de 57% na comparação com as 21 mortes do mesmo período do ano passado. Neste ano, oito mortes ocorreram em confrontos com a Polícia Militar em serviço e uma morte foi registrada em confronto com a Polícia Civil em serviço.

Já em 2020 e 2019, a região bateu recorde de mortes em confronto com a polícia. Foram 32 óbitos nos primeiros nove meses de 2020 e 24 no mesmo período de 2019.

Em todo o ano passado, a região acumulou 25 mortes em confronto, 34% a menos na comparação com os 38 óbitos de 2020. Todas as mortes em 2021 ocorreram em confrontos com a polícia militar em serviço.

Mesmo com a queda, as 25 mortes registradas no Vale em 2021 representaram o quarto maior número de vítimas da série histórica da SSP, que começa em 2005. O recorde histórico é o ano de 2021, com 38 mortes em confronto com a polícia.

CÂMERAS

A queda das mortes em confronto com a polícia na região ocorre após a instalação de câmeras corporais para a Polícia Militar, medida iniciada no começo de 2021 pelo ex-governador João Doria (PSDB).

O tucano deixou o governo paulista com saldo de 93 pessoas mortas em confronto com as polícias da região, 36,76% a mais do que nos três anos anteriores – 68 mortes.

Durante a campanha ao governo de São Paulo, em 2018, o então candidato Doria causou polêmica ao dizer que “se bandido reagir, vai para o cemitério”.

No entanto, após a instalação das câmeras em policiais militares, os indicadores começaram a cair, chegando a 75% de redução no primeiro semestre deste ano na comparação com igual período do ano passado, que já havia registrado queda de 36% ante os seis meses de 2020.

No final de novembro do ano passado, câmeras corporais instaladas na farda flagraram policiais militares do Baep (Batalhão de Ações Especiais) executando um jovem desarmado e rendido, identificado como autor de um roubo na região sudeste de São José dos Campos.

As imagens ainda mostravam os agentes alterando a cena do crime para parecer que houve um confronto com os suspeitos.

Na ocasião, a Corregedoria da PM apontou que os policiais envolvidos praticaram os crimes de homicídio, fraude processual e prevaricação.

OUTRO LADO

Em nota, a SSP disse que o compromisso das forças de segurança no Estado de São Paulo é com a vida, razão pela qual “medidas para a redução de mortes são permanentemente estudadas e implementadas pela SSP”.

Disse ainda que “todas as ocorrências de morte decorrente de intervenção policial são analisadas pelas instituições policiais, rigorosamente investigadas e comunicadas ao Ministério Público”.

E completou: “Também são implementadas medidas visando a aprimorar os protocolos e procedimentos operacionais e administrativos. Além do trabalho de gestão interna, as forças de segurança investiram em meios tecnológicos para mitigar as ocorrências com resultado morte, como a implementação das câmeras corporais nos uniformes dos policiais militares e o uso de equipamentos de menor potencial ofensivo”.

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