A família da adolescente Ana Lívia, de 13 anos, morta pela amiga de 12 em Taubaté, em setembro deste ano, trava uma luta para conseguir respostas ao caso. A falta de informações sobre o crime fez com que a equipe jurídica de Jéssica Higino, mãe da garota, contratasse uma perícia especializada para realizar uma investigação paralela. “Me privaram de acompanhar o caso, não pude acompanhar o julgamento. Lívia é só um número e o descaso com a família da vítima é a coisa mais absurda”, disse Jéssica.
No início da semana, a Justiça realizou a audiência com a menor acusada para definir qual seria o tempo de internação dela. Contudo, a mãe de Ana Lívia não pôde participar e o resultado do processo só foi conhecido por ela dias depois.
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A representação que acusou a menina de 12 anos da infração foi feita pelo MP (Ministério Público), sem a participação dos advogados de Jéssica. Isso quer dizer que a família não teve acesso às movimentações jurídicas do caso por meios oficiais.
A Vara de Infância e Juventude de Taubaté decidiu que o tempo de internação da menina de 12 anos será indeterminado. O juiz definiu que uma avaliação psicológica seja feita com a garota a cada seis meses. O documento vai respaldar a manutenção da pena ou não. Atualmente, ela está internada em uma unidade da Fundação Casa na capital. "A minha sentença eu já tive, sofrer eternamente a dor de perder a minha filha", afirma Jéssica. "Como mãe me sinto indignada e insatisfeita, pois minha filha era um ser humano e não uma infração”, completa.
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A investigação paralela da família quer esclarecer pontos que teriam sido ignorados pela polícia, como a responsabilidade do tio da menina de 12 anos, dono da arma utilizada no crime. A equipe jurídica pretende denunciá-lo por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
A mãe da vítima chegou a fazer um abaixo-assinado para defender a redução de maioridade penal. "Ela fez algo que um adulto faria e deveria ser julgada como tal", declara. De acordo com ela, Ana Lívia e a menina que tirou sua vida eram amigas e que a atiradora frequentava sua casa. Em postagens em suas redes sociais, ela se referiu à menor como "Judas".
O tempo máximo de internação na Fundação Casa é de até três anos. Contudo, caso a avaliação psicológica da menina não seja satisfatória, o tempo de reclusão pode ser prorrogado.
CRIME.
O caso aconteceu no dia 27 de setembro, no bairro Jardim Paulista, em Taubaté, antes de Ana Lívia e a garota de 12 anos irem para a escola. Pela manhã, Lívia ligou para a mãe perguntando se a amiga podia ir até sua casa para que as duas pudessem ir para a escola juntas, de carona com a mãe de outra colega.
Horas depois, a mãe de Ana Lívia encontrou a menina já sem vida, em seu quarto. De acordo com a polícia, a menina de 12 anos confessou ter atirado contra Ana Lívia com uma arma de fogo que pertence ao seu tio, que trabalha como agente penitenciário.
Lívia foi encontrada com um tiro na nuca, com o corpo caído em cima de uma mesa de cabeceira. A menina foi encaminhada para a Fundação Casa, onde espera por julgamento para definição da medida socioeducativa que será aplicada em seu caso.