"A minha sentença eu já tive, sofrer eternamente a dor de perder a minha filha". Jéssica Higino, mãe de Ana Lívia, chora a morte da filha há mais de um mês. Nesta quinta-feira (10), ela reagiu à definição da medida socioeducativa para a menina de 12 anos que matou sua filha em setembro deste ano, em Taubaté. A Vara de Infância e Juventude de Taubaté decidiu que o tempo de internação será indeterminado. O juiz definiu que uma avaliação psicológica seja feita com a garota a cada 6 meses. O documento vai respaldar a manutenção da pena ou não. Atualmente, ela está internada em uma unidade da Fundação Casa na capital.
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"Como mãe me sinto indignada e insatisfeita, pois minha filha era um ser humano e não uma infração. Mas se infelizmente a Lei prevê essa medida sócio educativa de internação por tempo indeterminado e avaliação psicológica a cada seis meses, mesmo se tratando da perda de uma vida, eu tenho que receber, aceitar e torcer para que ela se cumpra por muitos anos", diz Jéssica a OVALE.
A mãe da vítima chegou a fazer um abaixo-assinado para defender a redução de maioridade penal. "Ela fez algo que um adulto faria e deveria ser julgada como tal", declara. De acordo com ela, Ana Lívia e a menina que tirou sua vida eram amigas e que a atiradora frequentava sua casa. Em postagens em suas redes sociais, ela se referiu à menor como "Judas".
O tempo máximo de internação na Fundação Casa é de até 3 anos. Contudo, caso a avaliação psicológica da menina não seja satisfatória, o tempo de reclusão pode ser prorrogado.
CRIME.
O caso aconteceu no dia 27 de setembro, no bairro Jardim Paulista, em Taubaté, antes de Ana Lívia e a garota de 12 anos irem para a escola. Pela manhã, Lívia ligou para a mãe perguntando se a amiga podia ir até sua casa para que as duas pudessem ir para a escola juntas, de carona com a mãe de outra colega.
Horas depois, a mãe de Ana Lívia encontrou a menina já sem vida, em seu quarto. De acordo com a polícia, a menina de 12 anos confessou ter atirado contra Ana Lívia com uma arma de fogo que pertence ao seu tio, que trabalha como agente penitenciário.
Lívia foi encontrada com um tiro na nuca, com o corpo caído em cima de uma mesa de cabeceira. A menina foi encaminhada para a Fundação Casa, onde espera por julgamento para definição da medida socioeducativa que será aplicada em seu caso.