ELEIÇÕES

De trevas à prisão de Moraes: teorias da conspiração alimentam protestos bolsonaristas

Por Da redação | São José dos Campos
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Divulgação
Bolsonaristas durante bloqueio nas estradas
Bolsonaristas durante bloqueio nas estradas

Tão logo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para presidente do Brasil no último domingo de outubro, no segundo turno, grupos bolsonaristas e de extrema-direita mudaram o conteúdo das fake news.

Diminuíram as postagens de que Lula fecharia igrejas e implantaria o comunismo no país e aumentaram as teorias da conspiração envolvendo as eleições e o pós-segundo turno. Tais mentiras nutrem manifestantes que seguem pedindo intervenção federal e militar no país.

A principal delas diz que as eleições teriam sido fraudadas e que a militância bolsonarista deveria ir para as ruas por 72 horas até que as Forças Armadas tomassem o país, mas mantendo no poder o presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado na eleição.

Correu nos grupos da extrema-direita que Bolsonaro iria tomar por base o artigo 142 da Constituição para decretar estado de exceção no país, tornando sem efeito a eleição presidencial.

Cerca de 200 horas se passaram desde a eleição e nenhuma medida nesse sentido foi tomada, justamente por se tratar de uma fake news.

“O artigo não trata disso. Entre outras coidas, ele diz que as Forças Armadas podem ser chamadas para a manutenção da lei e da ordem, inclusive desmobilizando os manifestantes que estão tentando se insurgir contra as eleições”, explicou Saulo Coelho, professor de Direito da Universidade Federal de Goiás, em artigo na internet.

PRISÃO

Outra onda de desinformação que tomou os grupos bolsonaristas, principalmente àqueles acampados em frente a unidades militares ou às margens de rodovias, foi de que o Exército dera 24 horas para que o presidente do TSE e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, decretasse nulas as eleições sob pena de ser preso.

Outra mentira que circula nos grupos é de que blindados do Exército estão se dirigindo a postos das fronteiras do país para evitar que nações latino-americanas invadam o Brasil caso Moraes e até Lula sejam presos.

Viralizaram nas redes sociais imagens de bolsonaristas ajoelhados, chorando e comemorando a suposta prisão de Moraes e até de Lula, o que nunca aconteceu e jamais esteve perto de ocorrer.

Nos últimos dias, a religião voltou a se misturar com força nas teorias da conspiração bolsonaristas, como foi observado durante a campanha eleitoral.

Desta vez, mensagens em grupos de apoio ao presidente alegam que haverá uma espécie de ‘intervenção divina’ no país com ‘trevas de três dias’ e com as pessoas ‘impedidas de sair de casa’. Nesse ínterim, Bolsonaro seria mantido no comando do país.

“É uma rede distribuída, sem um único centro, mas uma estratégia política de desinformação. Não dá para saber se elas acreditam nisso ou se estão no trabalho intencional de disseminar uma mentira”, disse o cientista Social e Político Sérgio Amadeu da Silveira, professor da UFABC (Universidade Federal do ABC) e consultor de Comunicação e Tecnologia.

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