Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, mais conhecido apenas como Geraldo Alckmin, completará 70 anos nessa segunda-feira (7). São sete décadas de uma vida iniciada aqui na RMVale e que, ao menos nos próximos quatro anos, terá papel central no futuro do país.
A caminhada até o cargo de vice-presidente da República foi longa. Formado em medicina em Taubaté, Alckmin iniciou a carreira política na década de 1970 em sua cidade natal, Pindamonhangaba, onde foi vereador e prefeito. Depois, teve um mandato como deputado estadual e dois como deputado federal, até ser eleito vice-governador, em 1994. Com a morte de Covas, em março de 2001, assumiu o comando do estado. Foi governador de 2001 a 2006 e de 2011 a 2018, um recorde desde a redemocratização do Brasil.
Além de longa, essa trajetória teve reviravoltas. Algumas delas bem recentes. Após a derrota nas eleições presidenciais de 2018, por exemplo, quando obteve menos de 5% dos votos, o então tucano parecia fadado ao esquecimento. Voltou a atuar como médico e chegou a apresentar de programas de TV para dar dicas sobre saúde.
Outra reviravolta ocorreu em 2021, quando almejava no ano seguinte disputar o governo paulista mais uma vez pelo PSDB, mas encontrou as portas fechadas no partido. De forma surpreendente, migrou para o PSB para ser candidato a vice-presidente na chapa de um adversário de longa data, o ex-presidente Lula (PT), que o havia derrotado no segundo turno das eleições de 2006. Tido como pouco carismático, Alckmin até fez piada citando o apelido que recebeu por isso - picolé de chuchu - e a aproximação com o petista: "Lula é um prato que cai bem com chuchu".
Brincadeiras à parte, os atritos antigos entre Lula e Alckmin chegaram a ser explorados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha desse ano. Como o episódio de 2017, em que o ex-governador falou: "depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder. Ou seja, ele quer voltar à cena do crime". Alckmin usou o horário político para defender a aliança com o petista. "Naquela época [2017] muitos de nós foram iludidos por um julgamento que depois a própria Justiça anulou porque foi parcial e suspeito”, afirmou. “Hoje está provado que Lula foi preso injustamente. Agora é a família Bolsonaro que precisa explicar ao povo a compra de 51 imóveis com dinheiro vivo".
A escolha de Alckmin como candidato a vice em sua chapa foi um claro aceno de Lula ao mercado. "Impediu terrorismo contra Lula de setores importantes, como o mercado financeiro, que não fez terror contra Lula", afirmou Fernando Haddad (PT). "O Lula precisava escrever uma ‘Carta aos Brasileiros’ explicando de outra maneira que não fosse com um papel e uma caneta. Ele escreveu com esse convite [para Alckmin ser vice]", disse Márcio França (PSB).
Após a chapa 'Lulalckmin' ser vitoriosa no domingo passado, já é certo que o pessebista terá um papel relevante no governo. Resta definir qual. Uma das possibilidades é de Alckmin assumir um ministério. Uma das pastas possíveis é a da Indústria, Comércio e Serviço, que foi extinta por Bolsonaro e pode ser recriada. Se isso acontecer, será um ministério turbinado, abarcando órgãos que hoje estão no Ministério da Economia. Outras opções estudadas são de assumir o Ministério da Economia ou o Ministério da Defesa. O vice-presidente eleito ainda resiste à ideia de ser titular em alguma pasta - a preferência dele é por participar de forma mais ampla da coordenação estratégica do futuro governo.
Enquanto a função de Alckmin a partir de janeiro não é definida, o vice eleito coordena a equipe de transição com o governo Bolsonaro. Ele foi, aliás, o único representante da nova gestão que já conversou pessoalmente com o atual presidente - o encontro ocorreu na última quinta-feira (3).
MISSÃO.
Além de reunir informações sobre o atual cenário das contas públicas, a equipe de transição do presidente eleito, coordenada por Alckmin, tem como principais missões abrir espaço no orçamento de 2023 para cumprir duas das principais promessas de campanha de Lula: a continuidade do benefício mínimo de R$ 600 do Auxílio Brasil (que deve voltar a se chamar Bolsa Família) e o aumento real no salário mínimo já em janeiro (que deve ser de 1,3%).
Isso deve ser feito por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que permitirá despesas acima do teto de gastos - isso é necessário porque o projeto do orçamento enviado ao Congresso pelo governo Bolsonaro prevê R$ 405,21 para o Auxílio Brasil e impõe cortes em programas habitacionais e no Farmácia Popular.