Na eleição mais acirrada da história brasileira, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL) e assumirá o país a partir de 1º de janeiro de 2023 para seu terceiro mandato. A vitória ocorre 12 anos depois de deixar o poder em 2010, após dois mandatos, e mais de quatro anos depois de ter sido preso, em abril de 2018, condenado no âmbito da Operação Lava Jato.
Os 580 dias em que esteve detido sob determinação do então juiz federal Sergio Moro tiraram a livre circulação de Lula e a possibilidade de o petista concorrer com Bolsonaro em 2018. Naquela época, as pesquisas apontavam a vitória do petista no primeiro turno, com larga vantagem.
A vitória veio apenas no segundo turno de 2022 e com a menor margem para o segundo colocado desde a redemocratização do país, na década de 1980.
Lula venceu com 60,3 milhões de votos contra 58,2 milhões de Bolsonaro, respectivamente 50,9% a 49,1% do total de votos válidos. Isso significa uma vantagem de apenas 1, 8 ponto percentual ou 2,13 milhões de votos a mais para Lula.
A disputa lembra a vitória de Dilma Roussef (PT) contra Aécio Neves (PSDB), em 2014, também em eleição muito apertada no segundo turno. A petista somou 54,5 milhões de votos contra 51,04 milhões de Aécio – 3,4 milhões a mais e 3,28 pontos percentuais de vantagem.
GETÚLIO
Mesmo com a margem apertada, Lula teve a mais expressiva votação para presidente já registrado no país e se consolida, ao lado de Getúlio Vargas (1882-1954), como o maior líder popular da história do Brasil, com três mandatos.
Enfrentando a sua mais dura campanha eleitoral, como ele mesmo admite, Lula encarou uma gigantesca onda de fake news que lhe imputava mentiras como a de que vai fechar igrejas e implantar o comunismo no Brasil.
Além disso, os ataques da extrema-direita se mantiveram durante toda a campanha, com postagens preconceituosas contra Lula por causa da sua origem nordestina e da deficiência na mão esquerda – ele perdeu o dedo mínimo trabalhando como metalúrgico em 1964.
Diante de um adversário que flerta com o fascismo, Lula procurou cercar-se de uma frente ampla de apoios que lhe permitiu angariar votos dentro do campo conservador, onde Bolsonaro tem maioria.
Nesse contexto, a medida mais importante foi trazer o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSB), como seu vice.