Um casal se ama, convive, troca fotos nas redes sociais e faz juras de amor. Mas, de repente, um deixa de seguir o outro no Instagram, no Twitter ou até mesmo no Facebook. Aliás, nos últimos dias, um caso desses acontecem no mais alto escalão do governo brasileiro. Afinal de contas, o presidente Jair Bolsonaro (PL), deixou de seguir sua esposa e primeira-dama, Michelle Bolsonaro, no Instagram, logo após a derrota dele no segundo turno das eleições.
Então, alguns dias depois, Michelle disse que, na verdade, eles não gerenciam aquelas contas e que está tudo bem com o casal. Contudo, esses assuntos sempre intrigam e geram curiosidade. Contudo, descurtir ou deixar de seguir alguém nas redes sociais, significa o que?
“Representa, em meu ver, como as coisas são hoje. Deixar de seguir, bloquear e etc, indica muito do que é o nosso modo de viver hoje em dia e em como as relações usam o ambiente virtual para inícios e términos de relacionamento”, disse o psicólogo Rafael Ribeiro, de São José dos Campos.
Segundo ele, quando se está interessado em alguém, começam-se a mutualmente se seguir, curtem posts, comentam; quando termina, deixam de se seguirem, mudam status e colocam ou tiram fotos. “Creio que faz sentido em entender como se dão as relações modernas e suas ramificações, incluindo o fim de um relacionamento”, explica.
Segundo ele, é difícil precisar se isso é saudável ou não. “Depende bastante do tom, modo e como é sentido para a pessoa. Eu compreendo e acho perfeitamente cabível quem o faz como uma medida de proteção ao seu coração. A dor de ver alguém pelas redes e suas vivências pode trazer muito sofrimento psicológico e acho uma forma de se autopreservar daquilo que machuca, algo natural para qualquer ser humano”, disse.
“Agora quando esse ato de deixar de seguir vem como o objetivo de manipular, chamar a atenção ou mesmo causar dor no outro, aí eu entendo como ataque e não como um processo de cura. Depende muito de pessoa para pessoa, novamente, vem da forma que aquilo toca a pessoa, mesmo em um ambiente virtual”, finaliza Ribeiro.