ELEIÇÕES

‘Preocupante é o crescimento de um cristianismo torto no Brasil’, diz presidente da CNBB

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Dom Walmor de Azevede, presidente da CNBB, celebra no Santuário Nacional de Aparecida
Dom Walmor de Azevede, presidente da CNBB, celebra no Santuário Nacional de Aparecida

Presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e arcebispo de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo condenou a manipulação religiosa da política e se mostrou preocupado com o crescimento de um “cristianismo torto no Brasil”.

Em artigo publicado no site da CNBB, dom Walmor reflete sobre a mistura de poder, justiça e paz e diz que “não basta defender uma parte dos valores cristãos”.

“O adequado exercício do poder não se relaciona à conquista de espaços para obter favorecimentos de qualquer tipo. Menos ainda quando esses favorecimentos levam à manipulação de interesses que comprometem os direitos de todos, prejudicando, especialmente, os mais pobres”, apontou o religioso.

Ele disse que uma grande tarefa dos cristãos na contemporaneidade é “capacitar-se sempre, para a experiência da reconciliação, compreendendo o poder como serviço, e não motivo para disputas insanas”.

A declaração foi dada antes da instauração do ambiente de beligerância que tomou conta do país após a derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL), nas eleições do último domingo (30). Nesse sentido, o texto do presidente da CNBB se mostra premonitório.

“Não se orientar, simplesmente, por ideologias e interesses, pois muitos estão na contramão do respeito à vida plena, em todas as suas etapas. E não basta defender uma parte dos valores cristãos”, afirmou dom Walmor.

Ele escreveu ainda que é preocupante o “crescimento de um cristianismo torto no Brasil, apontando graves comprometimentos civilizatórios”.

“É preciso estar atento às crescentes estratégias de manipulação que promovem a mistura entre fé, política e religião, obscurecendo e confundindo mentes, esvaziando as possibilidades reais de uma nova configuração social que favoreça a justiça e a paz.”

Sem citar Bolsonaro, o arcebispo disse que “deve-se refletir e ponderar sabiamente, para ter clareza de que seres humanos, no exercício do poder, não são deuses, para se evitar a idolatria de indivíduos”.

“As eleições são importantes, essenciais na configuração da democracia, mas não esgotam a responsabilidade de cada cidadão. Todos precisam seguir irmanados na permanente tarefa de edificar uma sociedade melhor, o que inclui promover todo o conjunto dos valores cristãos.”

Procurado, o Santuário Nacional de Aparecida informou que não comentou as eleições no Brasil no último domingo, tampouco os resultados. Também a Arquidiocese de Aparecida fez qualquer comentário sobre o pleito.

Comentários

3 Comentários

  • Rafael 09/11/2022
    Cidadão do bem eh aquele que entra de cerveja no templo e vaia o clérigo. Esse é cidadão de bem. Cidadão debem agora tah acampado na frente de quartel, sendo financiado pelo \"outros\"... tah na hora de descobrir quem são esses \"outros\", ha indicio de gente grauda por trás... a ver.
  • Raquel Barbosa 02/11/2022
    A CNBB não fala sobre padres e bispos \"tortos\" é a famosa passada de pano...
  • Sabino Santos 02/11/2022
    Não foi em Aparecida mesmo que se fez orações para que o ex-presidiário estivesse “no meio de nós”? A CNBB não é aquele órgão que se envolveu com militância da esquerda desde seu origem, utilizando da teologia da libertação como carro chefe de sua atuação? Ou se esquecem que a CNBB é um “sindicato de bispos” que não tem poder nenhum sobre a doutrina católica? Cristianismo Torto está aí… em alguém que fala de justiça mas se cala diante dos exageros cometidos pela própria justiça, está em pensar que a memória dos cristãos é curta diante dos apoios e alianças que se formam no obscurantismo dos interesses marxistas… Falar em defesa da vida é apoiar um partido abortista deveria ser, no mínimo, um sinal de vergonha para esse senhor…