Julemar Costa, professor de artes morto após um acidente na Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, em Campos do Jordão, na manhã desta sexta (28), era apaixonado por Fuscas. Ele tinha paixão pelo trabalho social, com crianças, e também atuava na igreja.
Conhecido por sua veia artística, Julemar ficou marcado por um amplo trabalho realizado na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). “A Apae é um lugar muito difícil de se trabalhar. Aqui os alunos são especiais e, para lidar com ele, você precisa ter um dom. Ele tinha. Me lembro de uma vez que com uma história ele conseguiu acalmar uma jovem menina autista. Depois, ficamos sabendo que a garota só dormia se a mãe contasse a mesma prosa”, disse Elenice Lucas, diretora da entidade no município.
A diretora ainda destacou a forma pelo qual Julemar enfrentou o período da pandemia. “Ele esteve conosco durante seis anos. Durante a pandemia vimos como o Julemar era, de fato, um ser de luz. Mesmo com problemas em sua vida particular, dificuldades, ele nunca esteve triste. Nós nunca o vimos sem um sorriso no rosto”, afirmou.
“JUNINHO”
Uma das marcas de Julemar também era o boneco construído por ele que levava o nome de “Juninho”. Muito atuante na igreja, Julemar usava o fantoche como uma forma de se expressar no ambiente religioso. Já na Apae, segundo Elenice, a brincadeira também era adorada pelos alunos.
“O Juninho era a parte mais especial da vida de muitos de nossos alunos. Eles viam o Julemar e perguntavam do Juninho. Todos adoravam. Acredito que esse fantoche e as brincadeiras que ele realizava através dele é só mais uma prova da genialidade do Julemar”, destacou.
CARRO.
Amiga da vítima, a também professora Luzia Martins identificou o colega justamente pelo Fusca verde, ao saber do acidente. Bem conservado, o veículo se partiu ao meio com a forte colisão. “Nós não estávamos mais tão próximos por conta das aulas, mas mantínhamos contato. Ele era muito querido. Todos sabiam da paixão que ele tinha por aquele Fusca. No momento do acidente, fiquei mais angustiada ainda porque vi e reconheci aquele carro. Não acredito que outra pessoa por aqui tenha um Fusca verde”, disse Luzia.
A amiga também descreveu a vítima como um “grande confeiteiro”. Segundo ela, o profissional tinha bastante talento para bolos. “Tudo que ele fazia era bem feito. Era um grande confeiteiro, sempre que fazia um bolo, podíamos sentir amor na massa dele. Era muito prazeroso conviver com ele”, disse.
ACIDENTE
Um grave acidente na manhã desta sexta, na altura do km 40 da Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, que liga Taubaté a Campos do Jordão, vitimou Julemar Costa, professor de artes, e a irmã dele, Célia, de 60 anos.
Além deles, outras duas vítimas envolvidas na colisão sobreviveram e foram encaminhadas ao Pronto Socorro de Santo Antônio do Pinhal, onde ainda não se tem mais informações sobre o estado de saúde deles.
No acidente, que ainda é apurado pela polícia, um Fusca verde, onde estaria o professor, partiu ao meio após se chocar de frente com outro veículo, que vinha em sentido contrário.
Comentários
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Luciana 29/10/2022Que tristeza... Meus sentimentos a toda família e amigos!!! Só pra ressaltar, AUTISTA é com U e não L.