O eleitorado paulista irá escolher nesse domingo (30) quem será o novo governador do estado, que quebrará uma hegemonia de quase três décadas do PSDB. Após 28 anos, ou sete eleições consecutivas, o nome alçado ao Palácio dos Bandeirantes não será tucano.
Esse ano, em São Paulo, a disputa de segundo turno seguiu a tendência da polarização nacional. As opções são Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é apoiado por Jair Bolsonaro (PL), e Fernando Haddad (PT), indicado por Lula (PT).
Em um cenário de oscilações nas pesquisas, registrado desde o início da campanha, a disputa chega indefinida à reta final. No primeiro turno, por exemplo, Haddad liderava nos levantamentos de intenção de voto e apenas no fim Tarcísio conseguiu se distanciar de Rodrigo Garcia (PSDB) em segundo lugar. Mas, nas urnas, a onda Bolsonaro trouxe surpresas.
No primeiro turno, Tarcísio recebeu 42,32% dos votos válidos, ante 35,70% para Haddad. Em votos totais, foram 9.881.995 para o candidato do Republicanos e 8.337.139 para o petista - uma diferença de 1.544.856. Rodrigo Garcia, que ficou fora do segundo turno e encerrou a hegemonia do PSDB, teve 18,40% dos votos válidos.
Pelo estado, Tarcísio venceu em 500 municípios. Haddad foi o mais votado na capital e em mais 90 cidades. Em 52 municípios, Rodrigo Garcia terminou em primeiro.
REGIÃO.
Na RMVale, Tarcísio obteve 678.982 votos no primeiro turno, o que representou 50,25% dos votos válidos. Haddad ficou em segundo lugar na região, com 379.514 votos (28,09% dos votos válidos). Rodrigo Garcia recebeu 250.936 votos (18,57% dos votos válidos).
Tarcísio venceu em 31 cidades da região: Aparecida, Caçapava, Cachoeira Paulista, Campos do Jordão, Canas, Caraguatatuba, Cruzeiro, Cunha, Guaratinguetá, Igaratá, Ilhabela, Jacareí, Jambeiro, Lorena, Monteiro Lobato, Natividade da Serra, Paraibuna, Pindamonhangaba, Piquete, Potim, Roseira, Santa Branca, Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, São José dos Campos, São Luiz do Paraitinga, São Sebastião, Silveiras, Taubaté, Tremembé e Ubatuba.
Haddad foi o mais votado em dois municípios: Areias e Bananal. Rodrigo Garcia foi o vitorioso em Arapeí, Lagoinha, Lavrinhas, Queluz, Redenção da Serra e São José do Barreiro.
PESQUISAS.
Nas pesquisas realizadas durante todo o primeiro turno, Haddad aparecia à frente de Tarcísio e Rodrigo Garcia nas simulações de segundo turno. A distância para o tucano, aliás, era menor do que para o candidato do Republicanos nesses cenários. Por isso, até antes da votação, a campanha petista acreditava que seria melhor enfrentar o ex-ministro de Infraestrutura do que o atual governador.
Após a surpresa na votação de primeiro turno, o favoritismo se inverteu. Nas primeiras pesquisas nessa reta final de campanha, Tarcísio aparecia com 46% das intenções de voto e Haddad 41% - o que representava, em votos válidos, 53% a 47%.
Na última semana, porém, Haddad cresceu nas pesquisas e encostou em Tarcísio. Levantamento do Ipec divulgado na última terça-feira (25) trouxe cenário de empate técnico, com 46% para o candidato do Republicanos e 43% para o petista. Brancos e nulos somavam 7%. Os que não souberam responder, 4%. Em votos válidos, 52% para Tarcísio e 48% para Haddad.
PARAISÓPOLIS.
Nesse segundo turno, um episódio que primeiro foi usado politicamente por Tarcísio depois se voltou contra o candidato do Republicanos: os tiros que interromperam sua agenda dia 17 em Paraisópolis.
Inicialmente, Tarcísio disse que havia sido atacado por criminosos. Nas redes, bolsonaristas divulgaram que ele havia sido vítima de um atentado.
Posteriormente, veio à tona uma gravação que mostra que um auxiliar da campanha de Tarcísio pediu para que um cinegrafista apagasse imagens do tiroteio. Além disso, testemunhas disseram que policiais que atuavam na segurança do candidato foram os responsáveis por matar a tiros um homem que estava desarmado na ocasião.
SÃO JOSÉ.
Nenhum deles nasceu na região, mas a chapa Tarcísio de Freitas/Felicio Ramuth (PSD) tem ligações com São José dos Campos. Candidato a vice-governador, Felicio fez toda sua trajetória política em governos do PSDB na cidade – ele foi do partido por 28 anos. Foi prefeito de São José de 2017 ao início de abril de 2022.
Tarcísio, que nasceu no Rio de Janeiro, tem uma relação controversa com a cidade. Ele morava em Brasília (DF), até ser escalado por Bolsonaro para concorrer ao pleito em São Paulo – o desejo inicial dele era tentar uma vaga no Senado por Goiás. Para atender a legislação eleitoral, o candidato declarou como domicílio um apartamento na Vila Ema, que aluga de um cunhado desde outubro de 2021 – ele mesmo admite que nunca morou no local.