ELEIÇÕES

Direita moderada perdendo espaço, Congresso conservador: o recado das urnas até agora

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Edilson Rodrigues/Agência Senado
Plenário do Senado Federal
Plenário do Senado Federal

O esvaziamento do centro e o aparente fim da direita moderada. Esse foi o principal recado das urnas no primeiro turno das eleições desse ano - algo que não deve mudar, seja qual for o resultado nesse segundo turno.

Com a consolidação do bolsonarismo, esses blocos políticos, que até anos atrás conseguiam equilibrar forças contra a esquerda e o lulismo, acabaram esmagados. O PSDB, que desde a década de 1990 rivalizava com o PT, caminha para um fim melancólico. Já a tal terceira via não demonstrou capacidade e nem encontrou espaço para decolar.

Impulsionada pelo antipetismo, que se mostra ainda forte em grande parte do país, a extrema direita aumentou sua representativa no Congresso, que será dominado pelo conservadorismo.

CONGRESSO.
De acordo com levantamento feito pela plataforma Ranking dos Políticos, quase metade dos deputados federais eleitos nesse ano é ideologicamente alinhada à direita. Dos 513 parlamentares escolhidos, 237 são considerados de direita (46,20%), enquanto 141 (27,48%) são de esquerda e 135 de centro (26,31%).

Na Câmara dos Deputados, o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, terá a maior bancada, passando de 76 para 99 parlamentares. A legenda também será a maior bancada no Senado, com 14 representantes.

Na Câmara, a segunda maior força será a federação formada por PT, PV e PCdoB, partidos aliados do ex-presidente Lula (PT), que terão 80 deputados. A bancada do PT subiu de 54 para 68. O número total de 80 chega com os seis do PCdoB e os seis do PV.

As outras maiores bancadas da Câmara serão de partidos de centro-direita ou de centro: União Brasil, com 59 deputados; PP, com 47; e MDB, com 42.

Partidos tradicionais diminuíram de tamanho na Câmara. O PSDB caiu de 22 para 13 deputados. O PSB caiu de 24 para 14. E o PTB, de 10 para apenas um.

PAUTAS.
Para cientistas políticos, essa nova composição aponta que o Congresso será mais conservador e de direita que o atual. Isso deve ampliar a discussão de projetos relacionados à chamada pauta de costumes e dificultar a tramitação de textos do campo progressista.

Caso Bolsonaro seja reeleito presidente, apontam os analistas, isso pode facilitar o avanço de propostas mais radicais da direita. "Essa nova composição é uma composição mais centro-direita que a atual. Agora, o presidente da República tem uma influência sobre o comportamento do Congresso muito grande. Então, por exemplo, se for o presidente Bolsonaro, o Congresso vai se direcionar muito para a direita", disse o analista Antônio Augusto de Queiroz. "Se Bolsonaro for reeleito, ele tem uma base muito apropriada para isso [fazer as reformas de costumes que ele não conseguiu fazer no primeiro mandato]. Houve um crescimento significativo de evangélicos e da bancada de segurança", completou.

Queiroz ponderou, no entanto, que esse bloco de direita não seria, necessariamente, uma oposição automática em eventual governo Lula. Para o analista, por exemplo, pouco mais de 30% dos deputados do PL podem ser considerados bolsonaristas-raiz. O cientista político Leonardo Barreto concorda. "A gente vai ter um Congresso mais conservador, mais de direita, mais liberalizante. Isso é um impeditivo, é um sinal de que, caso o ex-presidente Lula seja eleito, terá um Congresso ingovernável? Não", declarou Barreto. "Tanto é que a gente não pode dizer que nenhum desses partidos que chegaram serão oposição automática ao ex-presidente Lula", concluiu.

PERDA DE FORÇA.
Com a perda de espaço do centro e da direita moderada, a chamada terceira via não decolou. Simone Tebet (MDB) teve apenas 4,16% dos votos válidos no primeiro turno. Ciro Gomes (PDT), por sua vez, teve 3,04%.

Mas a derrocada mais expressiva foi a do PSDB. Na disputa nacional, essa foi a primeira vez, desde sua fundação, em 1988, que o partido não teve candidato como cabeça de chapa. Nos oito pleitos anteriores, havia sido vitorioso duas vezes, ambas com Fernando Henrique Cardoso, e disputado o segundo turno em quatro ocasiões - duas com José Serra, uma com Geraldo Alckmin e outra com Aécio Neves. Dessa vez, sem qualquer destaque, teve Mara Gabrilli como vice na chapa de Simone Tebet.

Na disputa estadual, o tombo foi ainda maior. Com o governador Rodrigo Garcia fora até do segundo turno, o PSDB deixará de comandar São Paulo após 28 anos consecutivos - nesse período, iniciado por Mário Covas em 1995, seis diferentes tucanos passaram pelo Palácio dos Bandeirantes.

Na Câmara dos Deputados, em Brasília, o PSDB cairá de 23 para 13 parlamentares. Uma bancada menor do que a do PSOL, por exemplo, que terá 14 representantes.

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