ELEIÇÕES 2022

No domingo, Brasil dividido corre risco de votar de punhos cerrados e com ódio no peito

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Bolsonaro e Lula decidem a eleição mais polarizada desde a redemocratização
Bolsonaro e Lula decidem a eleição mais polarizada desde a redemocratização

Em disputa apertada e com país dividido, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual mandatário Jair Bolsonaro (PL) duelam nas urnas em uma eleição marcada pelo avanço das fake news e com a garantia de um terceiro turno, que pode durar todo o próximo mandato.

Levantamentos mostram o petista com uma vantagem pequena enquanto que o bolsonarismo aposta em uma ‘blitzkrieg’ para virar a disputa na reta final.

Nesta última semana, a campanha de Bolsonaro entregou à Justiça Eleitoral denúncia de suposta fraude em inserções de propaganda do candidato à reeleição em rádios, que estariam desproporcionalmente em menor número do que as de Lula.

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alexandre de Moraes, negou prosseguimento à ação por falta mínima de provas. Sem comprovar as denúncias, a campanha de Bolsonaro ainda pode responder por crime eleitoral.

Analistas listam esta como a terceira tentativa de Bolsonaro de “melar” o pleito eleitoral. A primeira foi no desfile de 7 de Setembro do ano passado, quando a ameaça de golpe chegou ao ápice.

Depois o ataque contra a Polícia Federal feito pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson, cacique do PTB e amigo e apoiador de Bolsonaro.

Tentando se tornar espécie de ‘mártir’ do bolsonarismo, Jefferson disse ter disparado 50 tiros e lançado três granadas em policiais federais que foram à residência dele cumprir um mandato de prisão.

Bolsonaro tentou desvincular Jefferson do seu círculo de amizade, mas foi desmascarado pela imprensa e pelas redes sociais que resgataram fotos e imagens dos dois juntos em várias ocasiões.

Sem sucesso em ambos os episódios, a narrativa da fraude volta a ganhar força com as denúncias sem provas de inserções de rádio a menos para Bolsonaro, na linha da tentativa de desacreditar as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro.

Com isso, o Brasil assiste a capítulos cada vez mais agressivos durante a campanha, com assédio eleitoral, ameaças de golpe e divisões políticas. O que era para ser um embate de ideias e propostas se tornou, com a ascensão de Bolsonaro ao poder, um ringue de gladiadores cada vez mais violento.

Para piorar a polarização, as igrejas vêm sendo usadas como púlpito para replicar mentiras, com ataques de que o ex-presidente Lula, caso vença, iria fechar igrejas e perseguir religiosos, o que já foi desmentido pelo petista repetidas vezes.

Tais posturas mereceram uma nota da presidência da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

“A manipulação religiosa sempre desvirtua os valores do Evangelho e tira o foco dos reais problemas que necessitam ser debatidos e enfrentados em nosso Brasil. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e com o Evangelho”, afirma trecho do comunicado.

No domingo, o país vota de punhos cerrados e com ódio de quem escolhe o adversário. O perigo é a divisão tornar-se irremediável.

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