Meia volta, volver. Após a missão fracassada, o envergonhado recuo estratégico.
O Ministério da Defesa pretende divulgar apenas no início de 2023 o relatório sobre a fiscalização a respeito do funcionamento das urnas eletrônicas.
O recuo teria sido solicitado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), que não teria ficado satisfeito com a informação de que as Forças Armadas não encontraram nenhuma irregularidade no primeiro turno - a divulgação disso atrapalharia os ataques feitos por Bolsonaro, que, sem apresentar qualquer prova, alega que as eleições têm sido fraudadas e que as urnas eletrônicas não são seguras; o presidente já chegou a afirmar que não aceitaria um resultado desfavorável nas eleições caso os militares não dessem o aval às urnas.
Após o primeiro turno, tanto o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) quanto o TCU (Tribunal de Contas da União) solicitaram que o Ministério da Defesa apresentasse o relatório antes do segundo turno.
Em resposta ao TSE, as Forças Armadas alegaram que o relatório sobre a fiscalização só será produzido após o segundo turno. "A emissão de um relatório parcial, baseado em fragmentos de informação, pode resultar-se inconsistente com as conclusões finais do trabalho, razão pela qual não foi emitido", justificou o ministério.
A última etapa da análise do Ministério da Defesa sobre dados das urnas eletrônicas deve ocorrer até dois meses após as eleições, com término previsto para o início de janeiro de 2023.
VAIVÉM.
Em meio à pressão para que as Forças Armadas divulgassem o relatório sobre as urnas, Bolsonaro protagonizou um autodesmentido, passando a negar que os militares tivessem sido destacados para fazer uma auditoria no sistema de votação.
No dia 2 de outubro, horas após a votação em primeiro turno, depois de ser questionado sobre o processo eleitoral, o presidente respondeu: "vou aguardar o parecer aqui das Forças Armadas que ficaram presentes hoje lá na sala cofre. Repito, elas foram convidadas a participar, integrar uma comissão de transparência eleitoral. Então isso aí fica a cargo do ministro da Defesa", disse. Ao ser indagado sobre quando receberia o relatório dos militares, afirmou: "eles participaram da sala cofre. Devem estar lá até agora. Até o encerramento, vão estar lá. Vai ser feito um relatório pelo Ministério da Defesa".
Dezesseis dias depois, após o TSE cobrar o Ministério da Defesa sobre o relatório, Bolsonaro recuou. "As Forças Armadas não fazem auditoria. Lançaram equivocadamente. A comissão de transparência eleitoral não tem essa atribuição. Então furada, fake news". Após insistência de um repórter, que ressaltou que o próprio presidente havia falado antes em relatório, Bolsonaro respondeu: "você agora está botando na minha boca agora? Não bota na minha conta, não".