IGREJA

‘Temos o dragão do ódio e o da mentira, que não é de Deus’, diz arcebispo de Aparecida

Por Xandu Alves | Aparecida
| Tempo de leitura: 3 min
Caique Toledo / OVALE
Dom Orlando Brandes na missa solene da festa da Padroeira do Brasil
Dom Orlando Brandes na missa solene da festa da Padroeira do Brasil

O arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, criticou a onda de desinformação que se alastra pelo país em meio às eleições presidenciais, com ataques e exploração da fé e da religião.

Durante homilia na missa solene da festa de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil, às 9h desta quarta-feira (12), no Santuário Nacional de Aparecida, o arcebispo voltou a falar no dragão da mentira, tema que havia abordado em celebrações anteriores.

“Maria venceu o dragão e temos muitos dragões que ela vai vencer: o tentador, a pandemia, que foi vencida, mas temos o dragão do ódio e o da mentira, que não é de Deus”, afirmou Brandes.

“E o dragão do desemprego, da fome e da incredulidade. Com Maria, vamos vencer o mal e dar prioridade ao bem, liberdade, verdade e a justiça, porque o povo merece”, completou o religioso.

Com a Basílica Nacional lotada, Brandes fez uma reflexão baseada em temas do Evangelho e evitou citar questões políticas, como fez em missas de Nossa Senhora Aparecida em anos anteriores.

Estavam presentes à celebração o senador eleito por São Paulo, o astronauta Marcos Pontes, e o ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França.

Brandes disse que a “Igreja e o mundo civil devem estar juntos, olhando para o povo e buscando o melhor para nossa pátria, para o Brasil”.

Ao povo, disse que todos devem se sentir saudados em Aparecida e fez questão de destacar os milhares de peregrinos que vêm a pé para o Santuário Nacional – 60 mil neste ano, segundo estimativa da Polícia Rodoviária Federal.

“Aqui ninguém é massa, desconhecido. Maria olha nos seus olhos e nos pés machucados dos que vieram de longe. Os caminhantes com os pés machucados e o coração curado. Viva nossos romeiros e romeiras.”

Em meio à ‘guerra santa’ que se transformou a campanha eleitoral, o arcebispo de Aparecida disse que é preciso “escutar a palavra, escutar Deus, mas também escutar o clamor do povo”. “Precisamos da fé, da oração, da solidariedade e da palavra de Deus. Escutemos Maria e o povo”.

Brandes usou o exemplo de Maria, que caminhou por Nazaré e para Belém, e disse que é preciso se perguntar “quais são os caminhos de Maria”. Disse que esse caminhar representa a “dignificação da mulher”, e celebrou a presença da mulher “na Igreja, no mundo e na sociedade, a partir de Nazaré”.

O arcebispo também lembrou a mensagem que o papa Francisco enviou por ocasião da festa da Padroeira do Brasil, com pedido especial para que o país cuide das suas crianças.

Brandes disse que, com a Sagrada Família, devemos “viver a cidadania”. Ele exortou os fiéis a votarem nas eleições, dizendo ser “necessário exercer esse direito e poder do povo”, o voto.

No final da reflexão, Brandes lembrou os caminhos de Nossa Senhora até Guadalupe, “para cuidar dos indígenas, que são a pupila de Maria”.

“Ela desceu do céu para elevar os escravos, os negros e o racismo eliminado. Desceu aos pastores, contando com a força dos pequenos. Mãe querida, obrigado por esses caminhos pela periferia. Sabemos que a senhora nos ama com o mesmo amor com que amou seu filho Jesus e, com vosso manto, protegei a nossa pátria na justiça, paz e fraternidade.”

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