ELEIÇÕES 2022

Eleitores do Vale da Fé dão vitória a Bolsonaro no 1º turno

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
OVALE
Bolsonaro na Escola de Especialistas de Aeronáutica, em Guaratinguetá
Bolsonaro na Escola de Especialistas de Aeronáutica, em Guaratinguetá

No meio da cruzada religiosa que se tornou a eleição presidencial, as cidades do Vale da Fé deram a vitória ao presidente Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno, com larga margem de vantagem para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Bolsonaro venceu nas cinco cidades do Circuito da Fé encravado no Vale do Paraíba – Guaratinguetá, Lorena, Aparecida, Canas e Cachoeira Paulista.

Juntos, os cinco municípios somaram 163,5 mil votos válidos na eleição presidencial, com 145,7 mil votos dados a Bolsonaro e Lula, 89% da totalidade.

O presidente venceu com 92,8 mil votos e 56,75% dos válidos nas cinco cidades. Lula foi o escolhido por 52,9 mil eleitores e ficou com 32,35% dos votos válidos.

Separadamente, Guaratinguetá foi a cidade que deu mais votos a Bolsonaro (57,88%), seguida de Lorena (57,74%), Aparecida (55,51%), Canas (52,67%) e Cachoeira Paulista (51,88%).

PESQUISAS

No entanto, os principais institutos de pesquisas mostram Lula liderando entre os católicos e Bolsonaro, entre os evangélicos.

A primeira pesquisa Datafolha de segundo turno mostra Lula à frente entre eleitores católicos, enquanto Bolsonaro lidera nas intenções de voto de evangélicos.

O petista tem 55% contra 38% do adversário no grupo dos católicos. O presidente marca o dobro do rival entre evangélicos (62% a 31%). Ambos os segmentos têm 2% de indecisos, o mesmo índice do eleitorado em geral.

No Brasil, 53% do eleitorado declara ser católico e 27%, evangélico, de acordo com o Datafolha.

GUERRA SANTA

Neste ano, bolsonaristas têm feito ofensivas nas igrejas evangélicas, principalmente, para tornar a disputa eleitoral uma espécie de ‘guerra santa’.

Um dos discursos preferidos do presidente e seus apoiadores, como a própria primeira-dama Michelle Bolsonaro, é que a eleição se tornou uma luta do “bem contra o mal”, uma “batalha espiritual”.

No último sábado (8), a ex-ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, a senadora eleita Damares Alves, usou o mesmo discurso ao afirmar ter descoberto que “crianças brasileiras, de três, quatro anos” são traficadas e exploradas sexualmente.

Ela participava de um culto da Igreja Assembleia de Deus Ministério Fama, em Goiás, e disse falar como pastora evangélica.

Afirmou ter descoberto supostos crimes sexuais cometidos contra crianças traficadas da Ilha do Marajó (PA) quando estava à frente da pasta.

O Ministério Público Federal do Pará cobrou informações do Ministério da Mulher sobre as infrações e as ações feitas para combatê-las.

Além de associar a esquerda aos supostos crimes, Damares conclamou os fiéis a espalhar a informação por grupos de Whatsapp e levar a mensagem de que “Bolsonaro se levantou” para proteger as crianças e, por isso, vive “uma guerra espiritual” para ganhar as eleições deste ano.

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