No meio da cruzada religiosa que se tornou a eleição presidencial, as cidades do Vale da Fé deram a vitória ao presidente Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno, com larga margem de vantagem para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Bolsonaro venceu nas cinco cidades do Circuito da Fé encravado no Vale do Paraíba – Guaratinguetá, Lorena, Aparecida, Canas e Cachoeira Paulista.
Juntos, os cinco municípios somaram 163,5 mil votos válidos na eleição presidencial, com 145,7 mil votos dados a Bolsonaro e Lula, 89% da totalidade.
O presidente venceu com 92,8 mil votos e 56,75% dos válidos nas cinco cidades. Lula foi o escolhido por 52,9 mil eleitores e ficou com 32,35% dos votos válidos.
Separadamente, Guaratinguetá foi a cidade que deu mais votos a Bolsonaro (57,88%), seguida de Lorena (57,74%), Aparecida (55,51%), Canas (52,67%) e Cachoeira Paulista (51,88%).
PESQUISAS
No entanto, os principais institutos de pesquisas mostram Lula liderando entre os católicos e Bolsonaro, entre os evangélicos.
A primeira pesquisa Datafolha de segundo turno mostra Lula à frente entre eleitores católicos, enquanto Bolsonaro lidera nas intenções de voto de evangélicos.
O petista tem 55% contra 38% do adversário no grupo dos católicos. O presidente marca o dobro do rival entre evangélicos (62% a 31%). Ambos os segmentos têm 2% de indecisos, o mesmo índice do eleitorado em geral.
No Brasil, 53% do eleitorado declara ser católico e 27%, evangélico, de acordo com o Datafolha.
GUERRA SANTA
Neste ano, bolsonaristas têm feito ofensivas nas igrejas evangélicas, principalmente, para tornar a disputa eleitoral uma espécie de ‘guerra santa’.
Um dos discursos preferidos do presidente e seus apoiadores, como a própria primeira-dama Michelle Bolsonaro, é que a eleição se tornou uma luta do “bem contra o mal”, uma “batalha espiritual”.
No último sábado (8), a ex-ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, a senadora eleita Damares Alves, usou o mesmo discurso ao afirmar ter descoberto que “crianças brasileiras, de três, quatro anos” são traficadas e exploradas sexualmente.
Ela participava de um culto da Igreja Assembleia de Deus Ministério Fama, em Goiás, e disse falar como pastora evangélica.
Afirmou ter descoberto supostos crimes sexuais cometidos contra crianças traficadas da Ilha do Marajó (PA) quando estava à frente da pasta.
O Ministério Público Federal do Pará cobrou informações do Ministério da Mulher sobre as infrações e as ações feitas para combatê-las.
Além de associar a esquerda aos supostos crimes, Damares conclamou os fiéis a espalhar a informação por grupos de Whatsapp e levar a mensagem de que “Bolsonaro se levantou” para proteger as crianças e, por isso, vive “uma guerra espiritual” para ganhar as eleições deste ano.