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Maior derrotado nas urnas esse ano, PSDB busca reformulação para continuar existindo

Por Julio Codazzi | São José dos Campos
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Divulgação
Após 28 anos, PSDB deixará comando do governo de São Paulo
Após 28 anos, PSDB deixará comando do governo de São Paulo

Com segundo turno nas disputas pelo Palácio dos Bandeirantes e pelo Palácio do Planalto, apenas no fim do mês saberemos quem irá ganhar as eleições para governador de São Paulo e presidente da República. Mas a votação em primeiro turno, no dia 2 de outubro, já foi suficiente para definir quem foi o maior derrotado nesse pleito: o PSDB.

Na disputa nacional, essa foi a primeira vez, desde sua fundação, em 1988, que o PSDB não teve candidato como cabeça de chapa. Nos oito pleitos anteriores, o partido havia sido vitorioso duas vezes, ambas com Fernando Henrique Cardoso, e disputado o segundo turno em quatro ocasiões - duas com José Serra, uma com Geraldo Alckmin e outra com Aécio Neves. Dessa vez, sem qualquer destaque, teve Mara Gabrilli como vice na chapa da emedebista Simone Tebet.

Na disputa estadual, o tombo foi ainda maior. Com o governador Rodrigo Garcia fora até do segundo turno, o PSDB deixará de comandar São Paulo após 28 anos consecutivos - nesse período, iniciado por Mário Covas em 1995, seis diferentes tucanos passaram pelo Palácio dos Bandeirantes.

Na Câmara dos Deputados, em Brasília, o PSDB cairá de 23 para 13 parlamentares. Uma bancada menor do que a do PSOL, por exemplo, que terá 14 representantes.

Para explicar essa derrocada, analistas políticos e lideranças do partido têm a mesma interpretação: o PSDB, que até anos atrás era dominante entre o eleitorado de centro-direita, perdeu esse espaço após a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência, em 2018.

“O PSDB perdeu para o bolsonarismo porque não tem posição. Há muitos anos, não se posiciona sobre grandes questões. O PT, enquanto o Lula for vivo, tem lugar cativo. O Bolsonaro pegou essa demanda de gente com uma série de temas mais liberais, à direita. Ele pode não ser a pessoa ideal para fazer isso, mas é o que tem hoje. As pessoas votam nele por falta de opção. E partidos como o PSDB não se posicionam sobre as questões, e aí o eleitor não consegue votar porque não sente firmeza sobre as posições do partido. Não só o PSDB, qualquer partido de centro”, analisou o deputado federal Eduardo Cury, que atribuiu justamente à ‘onda Bolsonaro’ o fato de não ter sido reeleito para um terceiro mandato consecutivo.

“Meu partido esperava fazer 10 deputados [federais por São Paulo] e fez três, aí não há planejamento que segure isso”, completou Cury.

“O eleitorado brasileiro polarizou a eleição para presidente. Com essa polarização, os partidos de centro-direita e centro-esquerda perderam um pouco o foco. Quem estava do lado da esquerda extrema e da direita extrema, se fortaleceu”, analisou o presidente do diretório do PSDB em São José dos Campos, José de Mello Correa.

Para o secretário da coordenadoria regional do PSDB em Taubaté, Francisco de Assis Vieira, o Chesco, o resultado da eleição do último domingo trouxe perplexidade ao partido. “Nós estamos em estado de choque”, resumiu. “A polarização de Brasília chegou a São Paulo. Dois padrinhos fortes de Brasília [Bolsonaro e Lula] fortaleceram candidatos no estado”, acrescentou.

Para Chesco, o cenário atual exigirá uma análise mais aprofundada por parte da legenda. “Não pecamos por omissão, mas a classe política precisa se rediscutir. O eleitor pensa de um jeito, e o político de outro. Vamos ter que reaprender essa reengenharia política. O partido precisa ressurgir”.

O secretário regional, no entanto, não descarta que, ao fim desse processo, o PSDB poderá ser extinto. “O PSDB vai ter que ser revisto de ponta a ponta. Estamos num prejuízo brutal. Temos que reciclar o produto, colocar gente nova. E, se não tiver solução, colocar uma pá de cal. Foi bom enquanto durou”.

FUTURO.
Embora Cury ainda não crave sua permanência no partido, o PSDB já se articula para disputar a Prefeitura de São José em 2024 - nesse caso, provavelmente contra o ex-tucano Anderson Farias (PSD), que comanda o Paço.

“Não podemos perder conquistas tão grandes que nós tivemos”, disse o presidente do diretório municipal. “A gente vê hoje transporte público obsoleto, a coleta de resíduos com problema, mudança radical no 156, 153. Em vez de concessionar alguns serviços, estamos trazendo de volta, inchando novamente a Prefeitura. Estamos vigilantes e se entendermos que a cidade está com projeto ruim, vamos nos preparar para 2024”, acrescentou.

“O PSDB de São José continua forte. Temos uma gama de projetos muito grande, e nome [de candidato a prefeito] não é problema, temos grandes nomes”, concluiu.

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