O ex-ministro da Educação e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse que o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi comprometido em combater a corrupção, mesmo com envolvimento em diversos escândalos, como Mensalão e Petrolão. Segundo ele, o PT fortaleceu os mecanismos de combate à corrupção enquanto esteve no poder.
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“Como julgar um governo em relação à corrupção? É vendo o quanto fortaleceu os órgãos de combate e quanto deu liberdade às entidades para agir. Se fez isso, é um governo comprometido”, afirmou Haddad a OVALE.
“Nunca vi o presidente Lula trocar superintendente da Polícia Federal de lugar para proteger um filho. Ele fortaleceu a Polícia Federal como nenhum outro.”
O petista, que já governou a cidade de São Paulo e disputa o governo estadual pela primeira vez, participou da sabatina do projeto ‘São Paulo em Debate’, realizado por OVALE em parceria com a ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos e a Band Vale. O encontro foi realizado na sexta-feira (23), no auditório da ACI, na região central de São José.
Por cerca de uma hora, Haddad respondeu a perguntas de jornalistas e de internautas. A sabatina foi transmitida ao vivo pelas redes sociais de OVALE.
Questionado pelo jornal sobre como afasta do eleitor paulista as dúvidas de que não permitirá corrupção em seu eventual governo, Haddad citou como exemplo sua passagem pelo Ministério da Educação e pela Prefeitura de São Paulo.
“Passei 7 anos no Ministério com orçamento de R$ 100 bilhões e não há nenhum escândalo. Na Prefeitura de São Paulo, em 18 meses, desbaratei 18 quadrilhas com muita gente grossa envolvida.”
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SEGURANÇA
Para combater a criminalidade na RMVale, a região mais violenta do estado há 12 anos, Haddad propõe fortalecer a Polícia Civil e ampliar a estrutura de investigação. Ele disse que tornar a região prioridade em segurança pública “não é questão de escolha”.
“Toda região com mais de 10 mortes em homicídios por 100 mil habitantes está em situação epidêmica. A ONU recomenda atuar de maneira implacável. Se o Estado quiser, tem efetivo para fazer, mas sem delegado, delegacia e investigador não vai chegar a lugar nenhum”, disse o petista a OVALE.
“Temos que investir na investigação. Não se consegue evitar crime por flagrante. Em geral, há associação criminosa por trás, e não se combate sem inteligência e falta de efetivo da Polícia Civil.”
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DEMOCRACIA
Chamado por adversários de o “pior prefeito de São Paulo”, Haddad disse que o contexto em que perdeu a reeleição no primeiro turno para João Doria (PSDB) foi marcado pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
“Se achar que o eleitor errou, vamos começar a questionar o regime democrático. O eleitor é soberano. Os democratas têm que respeitar o julgamento do eleitor”, afirmou o petista, destacando que o partido lidera a corrida presidencial e no Estado, feito inédito em 40 anos. “Fiz o melhor que pude para São Paulo, com investimento recorde e redução da dívida pública”.
E completou: “O PT perdeu 60% dos votos no Brasil em 2016, o ano do impeachment, mas petista não esconde a estrela. A gente é tudo junto e misturado.”
MULHER
Diante de aumento da violência contra a mulher em São Paulo, Haddad se comprometeu em atuar para melhorar o atendimento.
“Causa estranheza a maneira como a mulher agredida é atendida. É obrigada a fazer via-crúcis para ser atendida. Constrangimento para a mulher. Vou credenciar médicos nos postos de atendimento e pronto-socorro para fazer o laudo e até o boletim de ocorrência por teleconferência, com uma autoridade policial do outro lado. Temos uma engenharia para fazer para dar melhor atendimento.”
Haddad contou que assinou carta-compromisso com a empresária Luiza Trajano para fazer um governo paritário entre homens e mulheres nas secretarias.