Juliana Fernandes, de Pindamonhangaba, tinha 19 anos e todo um futuro à sua frente. Estudava enfermagem e queria trabalhar com equipes de resgate. Em maio deste ano, seu sonho foi interrompido por causa de um "não". Ela foi morta com dois tiros pelo seu ex-namorado, que não aceitava o fim do relacionamento.
Infelizmente, o caso de Juliana não é único. Na RMVale, outras três mulheres já foram vítimas de feminicídio na região, ou seja, foram mortas por serem mulheres. Em 2019, a região registrou o recorde de assassinatos de mulheres desde a criação da lei do feminicídio. Naquele ano, onze mulheres penderam suas vidas nas mãos de ex-companheiros, assim como Juliana.
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"Não vamos terminar e pronto", dizia uma das mensagens do ex-namorado de Juliana, divulgada pela mãe da vítima. Apesar da jovem dizer mais de uma vez que não queria continuar com o relacionamento, a insistência do jovem acusado foi tanta que ele foi até a porta do curso onde ela estudava encontrá-la. Quando Juliana saiu para encontrar seu pai, que havia ido buscá-la, ele atirou duas vezes contra a garota.
PREVENçÃO.
Jamila Jorge Ferrari, delegada de Polícia Coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo explica que a prevensão é a principal ferramenta direta contra o feminicídio.
"A prevenção começa principalmente na educação, na escola, dentro de casa. Formar as crianças para entender que homens e mulheres são diferentes, mas que temos sempre os mesmos direitos", ressalta ela.
"Temos que ensinar aos homens a ouvir o 'não'. A prevenção é essencial para que eles entendam que o 'não' faz parte da vida, assim como o 'sim' faz", afirma Jamila.
Ela ainda reforça que todo tipo de violência deve ser denunciada, inclusive a verbal. "Denuncie ao menor sinal de violência. Xingar é crime, ameaça é crime, violência psicológica é crime. Quando começamos pegar o caso desde o início, pelo crime que não deixa cicatrizes, conseguimos salvar a vida dessa mulher", explica.
VIOLÊNCIA.
Bianca Roberta, de Caçapava, foi espancada até a morte na rua pelo seu então namorado. O motivo, de acordo com o agressor, foi ciúmes. A mulher de 34 anos foi chutada em diversos locais do corpo. O tênis do rapaz foi apreendido pela perícia e tinha marcas visíveis de sangue.
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"Esses crimes mostram o tanto de ódio que o agressor tem ao fazê-lo. A maioria dos autores não tem passagem pela polícia, em tese, são pessoas que não são violentas. Contudo, quando vemos os feminicídios cometidos por eles, vemos vários tiros, golpes. Esse ódio, muitas vezes, é gerado pelo simples fato da mulher ter dito um não", finaliza Jamila.