Gabinete de Crise

‘Tem que saber ouvir’, diz psicóloga Edna Miranda sobre prevenção ao suicídio

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 2 min
35 milhões de diagnósticos de depressão foram feitos em mulheres em 2020
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Dar fim à própria vida é um ato final de desespero de alguém que sente que não há mais saída possível. Mas sempre há.

E quem garante é a psicóloga clínica Edna Miranda, especialista em trânsito e que fez recentemente um curso de prevenção ao suicídio.

Para ele, o mais importante é as famílias perceberem sinais que podem identificar alguém que esteja em sofrimento extremo, e assim evitar um suicídio, objetivo central do ‘Setembro Amarelo’.

“Não é fácil, mas é preciso estar atento e se abrir para ouvir o que não se quer ouvir”, disse. Confira.

Como surgiu o Setembro Amarelo?

Começou nos Estados Unidos, em 1994, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio. Ele tinha um carro Mustang amarelo. Por conta disso, no dia do velório dele, em setembro, a família decidiu distribuir cartões amarrados em fitas amarelas com frases de apoio para pessoas que pudessem estar enfrentando problemas emocionais. Foi daí que surgiu essa campanha mundial de prevenção ao suicídio.

Como a sra. vê esse aumento de suicídios no Brasil?

Está aumentando o número de casos de suicídio no país, especialmente entre pessoas mais jovens e idosos. Trabalho com psicologia do trânsito e, dia desses, atendi um bombeiro que me contou haver atendido quatro ocorrências de pessoas tentando se suicidar em poucos dias. Tem crescido muito e a pandemia abalou a saúde mental das pessoas e contribuiu também, mas o suicídio já vinha aumentando anteriormente.

Qual é a avaliação da sra. para o motivo desse crescimento?

Estamos vivendo em um mundo muito acelerado em que as pessoas têm dificuldade de parar e ouvir o outro, de acolher. Você vai num restaurante e vê uma mesa com cinco ou seis pessoas quase todas com o celular na mão, sem conversar entre si de verdade. Parece que há uma presença só de corpo. As pessoas estão carentes de um contato real, não digital. Muitos jovens têm centenas de amigos e seguidores nas redes sociais, mas estão solitários no mundo real.

Leia mais: Você sabia? Entenda as origens do Setembro Amarelo

Como identificar alguém que possa estar pensando em cometer suicídio?

É preciso estar atento a mudanças bruscas de comportamento. De jovens que se tornam agressivos ou muito calados. Ou ainda pessoas que se isolam e ficam antissociais. A depressão, que tem tratamento, precisa ser levada em conta.

Como as famílias devem proceder?

Elas devem ouvir em primeiro lugar. E, quando se vai ouvir, deve-se ter a capacidade de suportar o que o outro tem para lhe dizer. Muitas vezes a pessoa não suporta a dor do outro, o medo, o que lhe incomoda. Quem está nessa situação tem medos, vergonha, dor, preconceitos, e precisa ser acolhido pelo outro. Tem que suportar a dor do outro. Estar inteiro naquele momento e sem julgar. Não é nada fácil.

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