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Democracia é o valor supremo a ser preservado no Brasil, dizem historiadores

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 3 min
Democracia
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Fé na democracia.

Mesmo com todas as suas contradições, Winston Churchill, estadista inglês fundamental para derrotar Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial, teria dito que a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as outras.

Não há experiência civilizatória no mundo mais bem sucedida do que a democracia. Regimes totalitários e autoritários tendem a cair em algum momento, não importa o espectro ideológico.

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No livro ‘Como as democracias morrem’ (Zahar, 272 páginas), Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, ambos professores de Harvard, nos Estados Unidos, descrevem como as democracias mundiais vêm sofrendo um fenômeno recente.

Segundo eles, o colapso das democracias tradicionais se dá “por dentro”. “A democracia atualmente não termina com uma ruptura violenta nos moldes de uma revolução ou de um golpe militar. Agora, a escalada do autoritarismo se dá com o enfraquecimento lento e constante de instituições críticas, como o judiciário e a imprensa”.

A avaliação serve para o Brasil atual, nestes 200 anos após a Independência. Sem dúvida alguma, a democracia é o mais importante valor a ser preservado no bicentenário.

Em palestra recente em Campos do Jordão, Carlos Ayres Britto, jurista, professor e ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), disse que a democracia é o “princípio dos princípios”: “É o princípio que é fonte, imã e bússola ao mesmo tempo”.

“Quando a imunidade parlamentar e a liberdade de expressão atacam a democracia, a democracia morre assassinada e a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar morrem por suicídio. Só existe liberdade de imprensa e imunidade parlamentar com democracia”, disse o jurista, aplaudido de pé.

Além de classificar a democracia como nosso maior bem nestes 200 anos, o também jurista, professor e ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, vê riscos concretos ao estado democrático de direito.

“Achava que ia ser muito ruim o governo Bolsonaro, porque sempre foi uma figura assim, mas é pior do que imaginava. É um retrocesso inaceitável. Na redemocratização, não há momento mais conturbado à democracia”.

GOLPE

A historiadora e professora da Univap, Maria Aparecida Papali, vê com preocupação a existência no Brasil de qualquer possibilidade, ainda que remota, de se dar um golpe de Estado.

Para ela, nãoi há regime que possa substituir a democracia. “É o que temos de melhor. Tem muitos defeitos e problemas, mas tem que ser preservada. É o que nos sustenta como população”.

Papali diz que a imprensa livre é o que permite que se tenha liberdade no país, que não haja censura. “Temos de pensar no futuro, em fortalecer as nossas instituições, e que não passe pela nossa cabeça a possibilidade de golpe. Isso é demonstrativo de que temos instituições falhas, o fato de um golpe ser cogitado abertamente, isso não poderia acontecer num país realmente democrático e com instituições fortes. Não deveria ser nem cogitado”.

NAÇÃO

Para o professor e historiador Diego Amaro, o Brasil vem se notabilizando pela falta de planejamento em longo prazo.

Segundo ele, essa característica apareceu na época da Independência e se mantém ao longo da história, prejudicando o pleno potencial do país.

"Essa falta de planejamento com o olhar na economia é que faz o Vale do Paraíba e o Brasil esmorecerem. Há falhas no processo que vêm desde 1822".

"O que faltou a Pedro 1º, Pedro 2º e aos governantes atuais é estratégia. Nos tornamos independentes, mas ainda não decidimos que nação queremos ser. Somos independentes, mas falta maturidade nesse processo".

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