A missão: Vale do Paraíba. A região desafia a segurança pública desde 2010, quando passou a liderar o ranking como a mais violenta do estado de São Paulo.
O Vale tem a maior taxa de vítimas de homicídios por 100 mil habitantes do estado. É ainda a única com mais de 300 mortes em homicídios por ano desde 2009. Nenhuma outra região paulista está nesse patamar.
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Diante desse quadro, o governo estadual apostou em mudanças administrativas e estruturais sob comando de Rodrigo Garcia (PSDB), que assumiu como governador em abril deste ano, após a renúncia de João Doria para disputar a Presidência da República – Doria acabou desistindo e abandonando a vida pública.
Garcia vem adotando uma espécie de ‘choque de gestão’ no Vale, com intervenção direta nas forças de segurança da região e ações pontuais diante de fragilidades identificadas no Vale.
O governador trocou o comando das polícias na RMVale e intensificou ações nas divisas com os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, conhecidas rotas utilizadas por traficantes e facções criminosas.
A atuação tem como objetivo principal reduzir a escalada de violência registrada em cidades do Vale Histórico e do Circuito da Fé, como Cruzeiro e Lorena, que saltaram para a liderança do ranking estadual da violência.
Com isso, o Vale passou a ter 6 das 10 cidades paulistas com mais habitantes no ranking da violência em São Paulo. Também estão na Caraguatatuba, Pindamonhangaba, Guaratinguetá e Taubaté.
Todos esses municípios têm taxa de vítimas de homicídio por 100 mil habitantes acima de 13. A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera que as cidades com taxa acima de 10 estão em “zona epidêmica” para a violência.
Com isso, a RMVale tornou-se o maior desafio em segurança pública para o atual e o próximo governador de São Paulo.
Além das ações pontuais, Garcia disse que autorizou a abertura do maior concurso público já registrado, para contratação de mais de 3.500 policiais civis. Ele também promete a implantação do Detecta Móvel em 2023, sistema de filmagem das ações policiais de dentro das viaturas para aumentar o combate à criminalidade.
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INDICADORES
Dez cidades da RMVale concentram 82,5% do total de vítimas de homicídio e latrocínio em 2022, no período de janeiro a julho. Nesse intervalo, a região acumula 246 vítimas de crimes violentos, sendo 240 em homicídios e seis em latrocínios, segundo dados da SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública).
As 10 cidades mais violentas somam 203 mortes, com 197 vítimas mortas em homicídios e seis em latrocínios – total da região em 2022.
Neste grupo estão São José dos Campos (31 mortes), Pindamonhangaba (24), Taubaté (24), Cruzeiro (23), Caraguatatuba (23), Lorena (20), Caçapava (18), Ubatuba (17), Guaratinguetá (15) e Aparecida (8).
O Vale ainda tem, em média, uma vítima de ladrões a cada 10 minutos. Foram registrados 28,2 mil crimes contra o patrimônio na região no primeiro semestre de 2022, aumento de 22% na comparação com o mesmo período do ano passado – 23,1 mil.
Para piorar a situação, a região registra o segundo período consecutivo com aumento nos crimes contra o patrimônio após quatro anos seguidos de queda.