Previdência

Nos primeiros 4 meses da atual gestão, calote no IPSM já é de R$ 72,9 milhões

Por Julio Codazzi |
| Tempo de leitura: 3 min
Fachada do IPSM (Instituto de Previdência do Servidor Municipal) de São José dos Campos
Fachada do IPSM (Instituto de Previdência do Servidor Municipal) de São José dos Campos

Apenas nos quatro primeiros meses de gestão, o governo Anderson Farias (PSD) deixou de repassar R$ 72,942 milhões em aportes para o IPSM (Instituto de Previdência do Servidor Municipal) de São José dos Campos.

O levantamento foi feito pela reportagem com base nos balancetes publicados pelo instituto referentes aos meses de abril a julho – o atual prefeito assumiu o cargo no começo de abril, no lugar do ex-prefeito Felicio Ramuth (PSD), que havia iniciado o calote no instituto em janeiro de 2021.

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Em abril, a Prefeitura deveria ter feito aporte de R$ 24,98 milhões ao IPSM, mas não transferiu nenhuma quantia. Em maio, o aporte devido era de R$ 23,221 milhões, mas apenas R$ 6,737 milhões foram repassados. Em junho, o aporte necessário era de R$ 27,916 milhões, mas novamente não foi feito nenhum repasse. Em julho, o aporte deveria ter sido de R$ 3,561 milhões, mas não foi feito.

Entre janeiro do ano passado e março desse ano, o governo Felicio havia deixado de repassar R$ 209,6 milhões para o IPSM. A Prefeitura tenta parcelar em 20 anos o valor referente ao período de janeiro a outubro de 2021 (R$ 151,2 milhões, que atualizados chegam a R$ 165,9 milhões). Embora o governo federal ainda não tenha homologado o acordo, a primeira parcela, de R$ 1,539 milhão, foi paga em julho.

Pelo balancete de julho, a dívida total da Prefeitura com o instituto está em R$ 286,684 milhões. Mesmo descontando o valor que o município tenta parcelar em 240 vezes, ainda sobrariam pelo menos R$ 121,432 milhões.

APORTES.
Pela legislação municipal, o aporte é devido quando as despesas do IPSM (o pagamento de aposentados e pensionistas) ultrapassam as receitas do instituto (essa parte vem da contribuição descontada em folha, que atualmente é de 14% para servidores e 26% para o poder público, como Prefeitura e Câmara). Esse cálculo é feito mês a mês – se a despesa é maior do que a receita, a Prefeitura precisa completar a diferença.

Em outubro de 2017, o governo Felicio propôs – e a Câmara aprovou – uma regra que visava reduzir a necessidade dos aportes. Por essa nova regra, ainda em vigor, pode-se deduzir do aporte o excedente financeiro (tudo que o IPSM obtiver além da meta com suas aplicações de recursos) ou dois terços do total de rendimentos (correção monetária e juros das aplicações do instituto).

Nos primeiros anos seguintes à mudança, isso foi suficiente para eliminar a necessidade de aportes. Desde 2021, no entanto, essa conta deixou de fechar sozinha.

De janeiro a julho de 2022, por exemplo, a receita média mensal do IPSM foi de R$ 15,4 milhões. Já a despesa média ficou em R$ 49,25 milhões. Ou seja, o déficit mensal é de R$ 33,8 milhões, em média.

PATRIMÔNIO.
Desde outubro de 2017, quando entrou em vigor a lei, um total de R$ 1,221 bilhão referente ao excedente financeiro ou a dois terços do total de rendimentos do IPSM já foi utilizado para abater dos aportes que a Prefeitura deveria ter feito ao instituto.

Nesse mesmo período, o patrimônio do órgão, que é uma espécie de poupança do IPSM, caiu de R$ 2,14 bilhões para R$ 1,56 bilhão, uma queda de R$ 579 milhões, equivalente a 27%.

Pelo último estudo, feito esse ano, o déficit atuarial do instituto (projeção para 35 anos) é de R$ 8 bilhões.

PREFEITURA.
Questionado pela reportagem, o governo Anderson não explicou por qual motivo não tem feito os aportes mensais ao IPSM. Também não respondeu quando deverá quitar os valores devidos ao instituto.

Em nota a OVALE, a Prefeitura alegou que o déficit mensal do órgão, além da “crise financeira da Covid-19”, é o “principal causador da diminuição do patrimônio do Instituto”.

Sem detalhar nenhuma ação, o governo Anderson alegou que “estuda medidas para mitigar e conter o déficit, que diminui a capacidade que o instituto tem para honrar os seus compromissos”.

A Prefeitura alegou ainda que, em julho, “em decorrência de mudanças na política de investimentos, o IPSM conseguiu reduzir drasticamente a necessidade de aportes”.

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