Eleições 2022

Sem Lula, debate do SBT tem dobradinha feminina contra Bolsonaro e padre desconhecido

Por Gabriel Campoy |
| Tempo de leitura: 4 min
Debate presidencial no SBT
Debate presidencial no SBT

O ex-presidente Lula (PT) foi o grande alvo dos candidatos participantes do debate presidencial promovido pelo SBT em conjunto da CNN Brasil, Revista Veja, Estadão/Rádio Eldorado, Nova Brasil FM e Portal Terra realizado no fim da tarde deste sábado (24). Por outro lado, um “desconhecido”, Padre Kelmon, foi quem chamou a atenção.

Candidato após a impugnação de Roberto Jefferson pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kelmon fez reiterados ataques à esquerda e à candidatura do ex-presidente Lula, além de, por alguns momentos, elogiar medidas tomadas pela gestão do atual presidente Jair Bolsonaro (PL).

Inclusive, no início do debate, uma “dobradinha de direita”, entre o atual presidente e o padre, criticaram a perseguição religiosa sofrida por cristãos na Nicarágua, país governado pelo ditador de esquerda Daniel Ortega, que foi chamado por ambos de “amigo pessoal de Lula”. Eles "alertaram" que o Brasil corre riscos de situações parecidas em um possível novo governo do PT.

Bolsonaro, por sua vez, acabou alvo das mulheres no pool. Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil) criticaram bastante o atual presidente, citando questões controversas de sua gestão como o Orçamento Paralelo, pejorativamente chamado de “Orçamento Secreto”. O mandatário, em contra-ataque, argumentou que as candidatas teriam se beneficiado por meio do mecanismo. Ambas negaram.

Em outro momento, ao ser questionada por Ciro sobre o fato de “ter se arrependido” do voto em Bolsonaro nas eleições de 2018, Soraya afirmou que escolheu o atual presidente na época pela “necessidade de tirar o PT”, mas que o mandatário “abandonou seu partido” e “envergonha a direita”.

“Bolsonaro envergonha o campo da direita (...) Ele traiu nosso partido, eu continuo nele. Eu continuo no mesmo lugar. A pergunta tem que ser feita para ele: por que é que ele traiu a nação brasileira?”, disse a candidata do União Brasil.

Já Tebet, citando novamente o chamado “Orçamento Secreto”, acusou Bolsonaro de viabilizar a medida como uma forma de “comprar o Congresso Nacional”.

“isso é corrupção. Hoje as nossas crianças estão comendo bolacha e suco em pó. No meu governo vai ser diferente, eu não terei um governo corrupto como o do senhor e o do PT, eu dou importância e respeito às crianças do Brasil”, disse a senadora

Contudo, as críticas das candidatas femininas não se limitaram a Bolsonaro. Ausente no debate, Lula também foi atacado. Enquanto Soraya chamou o petista de “covarde”, Tebet afirmou que o candidato “correu” do pool.

Quem também se irritou quando o nome de Lula foi citado no debate foi Ciro Gomes. Questionado por uma jornalista do Portal Terra se apoiaria Lula em um eventual segundo turno contra Bolsonaro, o pedetista criticou a pergunta, afirmando que o discurso petista de voto útil “matou o jornalismo sério”.

“Como é que estamos em um debate, eu me apresentando como candidato a presidência da República e sou convidado a refletir sobre o movimento que teoricamente eu deveria fazer nesta ou naquela direção? Isso é, no mínimo, uma falta de respeito com o eleitor”, disse Ciro.

Em outro momento de crítica ao petista, Ciro acusou Lula e Bolsonaro de fomentarem a polarização. “O que Lula e Bolsonaro querem é que você vote por ódio. Eu quero que você vote por esperança”, acrescentou.

Já no último bloco, quando os ataques ao PT cessaram, os ânimos do debate esfriaram. Luiz Felipe D´Ávila (Novo), pouco ativo, apresentou suas propostas e se colocou como um candidato liberal, defendendo um estado mínimo e com pouco atividade estatal. Entretanto, seu momento de maior destaque aconteceu quando foi perguntado por Soraya Thronicke, em uma indireta a Bolsonaro, sobre medidas controversas do governo federal.

“O que é, o que é? Não reajusta merenda escolar, mas gasta milhões com leite condensado? Tira remédio da farmácia popular, mas mantém a compra de Viagra? Não compra vacina para Covid, mas distribui prótese peniana para seus amigos. O que é, o que é?”, ironizou a senadora.

O presidente pediu direito de resposta e, com ele concedido, lembrou do apoio formal dado por Soraya a sua candidatura em 2018 e a chamou de “estelionatária”.

“Todo o seu material de campanha está escrito ‘a candidatura de Jair Bolsonaro’. A senhora é uma estelionatária”, finalizou o presidente.

ULTIMO ENCONTRO

O último encontro entre os candidatos à presidência está marcado para acontecer na próxima quinta-feira (29), na Rede Globo. Ausente no debate deste sábado, é esperado que Lula compareça neste embate.

Será a última oportunidade dos candidatos falarem aos eleitores brasileiros, já que o primeiro turno das eleições gerais está marcado para acontecer três dias, depois, no domingo, dia 2 de outubro.

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