Política

Elegível, Eduardo Cunha apoia Bolsonaro e diz que volta do PT seria 'retrocesso'

Por Thais Perez |
| Tempo de leitura: 3 min
Eduardo Cunha em visita à redação de OVALE, em São José dos Campos
Eduardo Cunha em visita à redação de OVALE, em São José dos Campos

Ex-presidente da Câmara dos Deputados e um dos personagens centrais do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o candidato a deputado federal Eduardo Cunha (PTB) afirmou hoje a OVALE que a possível volta do PT ao Palácio do Planalto seria um "retrocesso". Em campanha eleitoral pelo Vale do Paraíba, Cunha concedeu entrevista ao jornal e declarou apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e a Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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Responsável pela abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), Cunha conseguiu uma decisão no Judiciário para disputar a eleição na semana passada. Ele era acusado de quebra de decoro parlamentar.

Cunha foi condenado na Operação Lava-Jato a 15 anos de prisão e ficou na cadeia entre outubro de 2016 a março de 2020, quando foi à prisão domiciliar por causa da pandemia da Covid-19.

"Eu acho que a volta do PT vai ser um retrocesso em vários aspectos, principalmente nas políticas públicas", disse Cunha a OVALE. "Eu não quero o Brasil atrelado a ditaduras internacionais, financiando essas ditaduras, eu não quero dinheiro financiando empresas, como a JBS, que agora tem sede nos Estados Unidos", completa.

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O candidato também criticou as alianças feitas pelo petista para conseguir a reeleição, como se aliar a Geraldo Alckmin (PSB). "Por mais que ele [Lula] tente disfarçar conseguindo outros apoios, fazendo as pessoas pensarem que vai ser diferente, quem vai governar é o PT e não Lula", pontua.

"Lula foi inocentado, assim como eu fui, mas não foi absolvido. Meu objetivo é ser absolvido, mas ao contrário de Lula, não tenho mais de 70 anos", explica.

O ex-presidente da Câmara atribuiu a volta de Lula à cena política ao ex-ministro Sérgio Moro. "Se não fosse o processo fraudulento de Moro, Lula teria concorrido em 2018 e perdido. Hoje teriamos um cenário completamente diferente. Se Lula voltar, é culpa do Moro", disse. 

APOIO

Cunha declarou que apoia a reeleição de Bolsonaro. "A razão pela qual apoio Bolsonaro, é porque ele é conservador de constumes e é liberal da economia", declara. "Eu defendo a privatização da Petrobrás, que a gente possa abrir mais o espaço para o capital privado, que possamos ampliar a reforça trabalhista e previdenciária, temos que resolver o problema fiscal no Brasil", completa.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados passou por São José dos Campos pela manhã desta quinta-feira (22) e durante a tarde visita Taubaté para cumprir agenda de campanha.
 

HISTÓRICO

Cunha teve seu mandato cassado no ano de 2016 por quebra de decoro parlamentar durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras.

Ele era acusado de não ter informado durante o depoimento à Comissão, a existência de contas no exterior. Foi acusado de esconder o recebimento de propina.

A defesa de Cunha alegou que a informação sobre o bloqueio de uma conta na Suíça que pertenceria ao então deputado estavam protegidas por sigilo fiscal e não poderiam ser compartilhadas sem autorização judicial.

Ao analisar a questão, o desembargador Carlos Augusto Pires Brandão, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu suspender os efeitos da cassação para retirar a inelegibilidade de Cunha e a proibição de ocupar cargos federais até decisão definitiva do tribunal.

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