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Custos da construção chegam a 31% em dois anos e impacta ganhos das construtoras

Por Gabriele Maciel |
| Tempo de leitura: 3 min
Sondagem da FGV mostrou que 52% das construtoras tem busca renegociar contratos.
Sondagem da FGV mostrou que 52% das construtoras tem busca renegociar contratos.

Apesar da tendência de crescimento do setor, o aumento dos custos da construção tem impedido que as construtoras experimentem a melhora de seus negócios. É o que revela a pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgada dia 26 de agosto. 

A Sondagem da Construção revelou que embora tenha variado 0,33% em agosto, percentual menor que do mês anterior quando chegou a 1,16%, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) acumula alta de 31%, entre julho de 2020 e julho de 2022. 

O maior impacto foi sentido em materiais e equipamentos que registrou alta de 51,5% no mesmo período, em decorrência do aumento expressivo de insumos como aço (94%), tubos (77,9%) e eletrodutos de PVC (67,5%). 

No atual cenário também pesa a valorização da mão de obra do setor, que em julho gerou 32.082 novas vagas, segundo dados do Caged (Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Previdência. 

A pesquisa da FGV buscou compreender o caso e, principalmente, saber se há, no momento, risco de interrupção das obras e se as empresas estão tentando renegociar contratos em decorrência da constante elevação dos custos.  A sondagem mostrou que a maioria das empresas (52,4%) está tentando renegociar contratos. No setor de Edificações Residenciais, que têm participação expressiva na geração de renda e emprego, 52,2% das empresas assinalaram a iniciativa de renegociar.

Entre as empresas que disseram que estão renegociando o contrato, 47,1% das responderam que a renegociação está sendo bem-sucedida. No entanto, 31% afirmaram que ainda estão esperando por uma resposta sobre a viabilidade da renegociação. Além disso, 21,6% delas disseram que não estão sendo bem-sucedidas nos acordos.

Entre os segmentos com maiores percentuais de renegociação bem-sucedida estão aqueles relacionados a serviços, como o de Obras de Acabamentos (81,4%), Obras de Instalações (61,9%) e Outros Serviços para Construção (62,1%). Já nas obras de infraestrutura, que geralmente são ligadas ao setor público, o tempo de espera por uma resposta favorável à negociação tem sido maior. No segmento de Obras viárias e Obras de artes, por exemplo, 20% das empresas indicaram que correm o risco de paralisarem suas atividades. O setor de Obras viárias é responsável pela construção de estradas e ruas. O de Obras de arte, pela construção de tuneis, viadutos, pontes etc.

Aconvap

As construtoras associadas à Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba) indicaram que estão avaliando o cenário com preocupação, mas que o risco de paralisação das obras é mínimo. O tema vem sendo discutido pelas 90 empresas associadas em um grupo de Benchmarking de Suprimentos. 

Dentre as medidas adotadas pela entidade estão o envio de cartas às principais empresas de insumos na tentativa de aliviar o aumento e mesmo a troca de fornecedores, quando possível. 

“Nessa tentativa de frear os aumentos, também estamos tentando conseguir redução em função de compra coletiva porque as chances de sucesso são maiores”, avalia o empresário Marco Aurélio Vituzzo, vice-presidente de Materiais e Insumos da Aconvap.

Entre as construtoras da região, a M Vituzzo Empreendimentos, têm tido bons resultados na gestão de obras nesses tempo difíceis de pandemia e instabilidade. A empresa inclusive venceu o 28° Prêmio Master Imobiliário na Categoria Profissional - Gestão de Empreendimentos Imobiliários por estratégias que vão do orçamento ao bem-estar dos funcionários.

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