LITERATURA

Provocado na Bienal, Lázaro Ramos diz que queria ser presidente do Brasil

Por Renata Nogueira | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Instagram @olazaroramos
Lázaro Ramos esteve na Bienal do Livro de São Paulo para falar sobre seus livros infantis.
Lázaro Ramos esteve na Bienal do Livro de São Paulo para falar sobre seus livros infantis.

"Já pensou Taís de primeira-dama? Pô, tô benzão", brincou Lázaro Ramos nesta segunda-feira, 4, na Bienal do Livro de São Paulo ao ser questionado por uma participante do evento se pensa em se candidatar a algum cargo político. O questionamento veio depois de uma conversa sobre a contribuição da literatura para crianças e jovens na reconstrução do Brasil.

"Será, gente? Convite tem muito, mas... Não sei! Eu queria ser presidente do Brasil. Eu queria", admitiu o ator e escritor que esteve no evento para falar sobre seus livros infantis como Edith e a Velha Sentada, O Pulo do Coelho e Caderno Sem Rimas da Maria, esse último dedicado aos seus filhos com Taís Araújo, Maria Antônia e João Vicente.

Já no início do bate-papo com o público presente, boa parte dele composto por professores e crianças que iniciaram nesta segunda o período de férias escolares e lotaram a arena principal da Bienal, Lázaro Ramos fez uma provocação. "A gente escreve para criança. Para as crianças já irem botando na cabeça o 'fora Bolsonaro'."

Para ele, a literatura infantil é essencial para que as crianças aprendam e convivam com o que o Brasil é. "Um país diverso. Esse é o nosso valor e a gente se perde quando esquece isso."

Lázaro, que hoje se diz à vontade para também se definir como escritor, além de ator, diz que nem sempre foi assim. Ele não teve acesso à literatura na infância e contou que até os 15 anos só lia por obrigação na escola.

Tudo mudou quando ele se interessou por interpretação e ganhou de presente do ator Wilton Cobra o livro "O Ator e o Método", de Eugênio Kusnet.

"Foi a primeira vez que eu li por prazer, para falar de uma paixão que eu tinha que era a atuação. A partir daí a chave virou e eu vi a importância do livro na minha vida. Aí li meu segundo livro por prazer que se chama 'Fernão Capelo Gaivota'", contou o autor de "Na Minha Pele".

Lázaro ainda aproveitou o espaço na Bienal do Livro para falar sobre a importância do exemplo dentro de casa, e contou um pouco mais sobre sua rotina de leitura com os filhos de 7 e 11 anos. "Tem que ser exemplo. Não existe falar para uma criança ler, se você não lê. As crianças estão nos observando o tempo todo."

"Em casa, a gente lê na frente deles, lê com eles, espalha livros pela casa. Nossa casa às vezes parece uma bagunça porque tem livro em todo canto. Mas é justamente para o livro se tornar uma ferramenta de afeto, carinho e naturalidade dentro do ambiente em que as crianças vivem."

Ainda no tema da contribuição da literatura na formação de pessoas, Lázaro mais uma vez provocou sobre como vê a reconstrução do país após uma era de desvalorização da cultura, algo impensável em um evento dedicado totalmente ao livro e lotado até mesmo em uma segunda-feira à tarde.

"Para reconstruir esse país, primeiro, tem que trocar de presidente. Estou falando isso como provocação, mas é porque não tem como a gente nesse espaço tão importante não debater isso", pontuou o ator e escritor.

"A gente está vindo de um período onde tem uma celebração a ignorância, uma desvalorização da educação, da figura dos professores, do poder e da importância dos livros. Inclusive taxando mais os livros e liberando armas. Esse é o momento que a gente está vivendo e é preciso falar."

Aplaudido de pé, Lázaro concluiu seu discurso. "Precisamos voltar a valorizar a educação, a literatura, o acesso ao livro, a cultura. Não tem jeito. O país é feito disso também. Não existe conhecimento possível quando a gente celebra a ignorância, fake news, desinformação."

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