A partir de domingo, 1º de novembro, uma nova concessionária assumirá a administração de importantes rodovias que ligam Campinas a Jaguariúna, Holambra, Artur Nogueira, Santo Antônio de Posse e outras cidades do interior paulista. A mudança faz parte da concessão da Rota Mogiana, que prevê R$ 9,4 bilhões em investimentos durante 30 anos, incluindo duplicações, novas pistas, ciclovias e alterações no sistema de pedágios.
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O contrato, assinado em 27 de agosto pelo Governo de São Paulo e pela Rota Mogiana SPE S.A., abrange aproximadamente 520 quilômetros de rodovias e acessos estaduais, com influência direta sobre 2,3 milhões de moradores de 22 municípios. Para a Região Metropolitana de Campinas (RMC), as principais mudanças estão concentradas nas rodovias Governador Adhemar de Barros (SP-340), Prefeito Aziz Lian (SP-107) e Deputado João Herrmann Neto (SP-133).
A troca de concessionária representa o início de uma nova etapa de administração das estradas, mas não significa que todas as obras começarão imediatamente. O contrato estabelece investimentos distribuídos ao longo de três décadas, enquanto intervenções estruturais de maior porte dependem de projetos, licenciamentos e cronogramas específicos.
O que muda para os motoristas de Campinas?
Uma das mudanças mais perceptíveis para quem utiliza a SP-340 já ocorreu antes mesmo da transferência formal da operação. O pedágio de Jaguariúna caiu de R$ 17,60 para R$ 8,80 em julho, redução de 50% para automóveis. A medida foi antecipada pelo Governo do Estado como parte da reorganização tarifária associada à nova concessão.
A praça fica no quilômetro 123,5 da Rodovia Governador Adhemar de Barros, um dos principais corredores utilizados por moradores de Campinas que seguem em direção a Jaguariúna, Mogi Mirim e Mogi Guaçu. Para quem paga a tarifa nos dois sentidos em um deslocamento diário, a redução representa uma economia de R$ 17,60 por viagem de ida e volta, considerando os valores anteriores e atuais.
O governo também apresentou uma projeção de redução progressiva da tarifa no trecho Campinas–Jaguariúna, com valor de R$ 7,65 até 2028. Esse montante é uma previsão, não a tarifa atualmente praticada, e depende da implantação das próximas etapas do modelo de cobrança.
Rodovia de Holambra terá duplicação e novos pedágios
Entre as intervenções de maior impacto regional está a transformação da Rodovia Prefeito Aziz Lian (SP-107), que conecta Artur Nogueira, Holambra e Santo Antônio de Posse.
O projeto prevê a duplicação de aproximadamente 25 quilômetros da rodovia, entre os quilômetros 18,45 e 43,8. A ampliação deverá separar os fluxos de veículos que atualmente compartilham a pista, além de melhorar os acessos a bairros, propriedades rurais, empresas e pontos turísticos.
Em Holambra, estão previstas pistas marginais e intervenções nos acessos à região da Expoflora, um dos principais polos turísticos do município. O planejamento também inclui melhorias no entroncamento com a SP-340 e novos dispositivos de retorno.
A mesma rodovia deverá receber pedágios eletrônicos no sistema free flow, que registra a passagem dos veículos por pórticos, sem cancelas ou necessidade de parada. O projeto divulgado anteriormente prevê dois pontos de cobrança na SP-107, mas a localização passou por ajustes durante a estruturação da concessão.
A implantação desses pontos é relevante para moradores que utilizam a rodovia em deslocamentos cotidianos. Embora o sistema dispense a parada em cabines, a cobrança poderá representar um novo custo em trechos que hoje não possuem pedágio convencional. Segundo o Governo do Estado, os novos pontos só poderão entrar em operação depois do cumprimento das melhorias iniciais obrigatórias.
Região ganhará ciclovia de 25 quilômetros
Outro projeto com impacto direto na RMC é a construção de uma ciclovia de 25 quilômetros ao longo da SP-107, ligando Artur Nogueira a Santo Antônio de Posse e passando por Holambra.
O trajeto está previsto entre os quilômetros 18,8 e 43,8 e poderá atender tanto moradores que utilizam bicicletas para deslocamentos quanto ciclistas que frequentam a região para atividades esportivas e de lazer.
A ciclovia também poderá reforçar a integração turística entre os municípios, especialmente em Holambra, onde o fluxo de visitantes é significativo durante eventos e nos fins de semana.
O pacote completo da concessão prevê 36,8 quilômetros de ciclovias, considerando também um trecho da SP-342, fora do eixo imediato de Campinas.
Cosmópolis e Artur Nogueira também terão melhorias
A Rodovia Deputado João Herrmann Neto (SP-133), ligação importante entre Cosmópolis e Artur Nogueira, também integra o programa de duplicações.
O documento de obras da concessão prevê ampliação de aproximadamente 14,2 quilômetros, entre os quilômetros 0,5 e 14,7. A intervenção tem potencial para melhorar a circulação regional e reduzir conflitos entre veículos que utilizam a rodovia para deslocamentos urbanos e transporte de mercadorias.
Na SP-340, que parte de Campinas e segue pelo interior, o contrato também contempla faixas adicionais e melhorias de acesso. As obras deverão atender tanto o tráfego de longa distância quanto os deslocamentos entre municípios, embora nem todos os trechos recebam o mesmo tipo de intervenção.
Quando as grandes obras vão começar?
A concessionária assume formalmente a operação em 1º de novembro de 2026, mas a execução das duplicações e demais ampliações seguirá etapas previstas no contrato.
Em março, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou, em entrevista à CBN Campinas, que as obras estruturais de maior porte estavam previstas para começar em 2029. O período inicial seria dedicado a providências técnicas e à preparação dos projetos.
Portanto, a mudança imediata é administrativa e operacional. Os benefícios de infraestrutura, como novas pistas, marginais e passarelas, serão percebidos gradualmente, conforme o andamento dos investimentos.
Veja o tamanho da concessão
O projeto Rota Mogiana reúne investimentos e intervenções em diferentes regiões do interior:
- R$ 9,4 bilhões em investimentos previstos durante o contrato;
- 520 quilômetros de rodovias e acessos concedidos;
- 30 anos de duração da concessão;
- 217 quilômetros de duplicações, com R$ 1,5 bilhão destinado a essas obras;
- 138 quilômetros de faixas adicionais;
- 96 quilômetros de vias marginais, segundo a apresentação atual do projeto;
- 59 intervenções previstas em passarelas e travessias;
- 135 pontos de parada de ônibus novos ou adequados;
- 36,8 quilômetros de ciclovias.
Quais cidades da região serão diretamente afetadas?
Na Região Metropolitana de Campinas, a concessão abrange trechos que passam por Campinas, Jaguariúna, Holambra, Santo Antônio de Posse, Artur Nogueira e Cosmópolis, além de conexões com municípios vizinhos, como Mogi Mirim e Mogi Guaçu.
A importância dessas rodovias vai além das viagens entre cidades. Elas também servem ao transporte de trabalhadores, ao escoamento de produtos agrícolas e industriais e ao acesso a estabelecimentos comerciais e polos turísticos.
O projeto reúne trechos anteriormente administrados pela Renovias e rodovias sob responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP). Com a nova concessão, a gestão passa a ser integrada em um mesmo contrato, supervisionado pela Artesp.
Investimento bilionário não significa obras imediatas
A concessão estabelece compromissos de investimento de longo prazo, mas a transformação das rodovias dependerá do cumprimento do cronograma e da fiscalização contratual.
Para os moradores da região de Campinas, os pontos centrais a acompanhar serão o início efetivo das duplicações, a implantação dos novos pedágios eletrônicos, a construção da ciclovia de Holambra e as melhorias nos acessos urbanos.
A mudança de administração começa em novembro. Já os resultados mais expressivos para a mobilidade regional deverão aparecer ao longo dos próximos anos, à medida que as obras previstas forem executadas.