POLÍTICA

Flávio disse ter patrimônio de R$ 8,18 mi; e Lula, R$ 4,77 mi

Por Marina Costa | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Agência Brasil
Lula e Flávio assinaram nesta quinta-feira (22) um acordo pela quebra mútua de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e os de seus familiares
Lula e Flávio assinaram nesta quinta-feira (22) um acordo pela quebra mútua de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e os de seus familiares

 Os patrimônios declarados pelos candidatos à Presidência voltaram à evidência depois que o presidente Lula (PT) desafiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico no domingo (18), durante o debate da Band.

Na proposta formalizada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na terça-feira (20), o mandatário se compromete a abrir seus sigilos e os de sua família —incluindo a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja; os cinco filhos, inclusive Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha; e os netos com mais de 18 anos— desde que o adversário faça o mesmo consigo e seus familiares.

A princípio, a campanha do filho de Jair Bolsonaro pretendia ignorar o desafio. Na quarta-feira (21), no entanto, o candidato do PL disse que concordaria em disponibilizar as informações desde que o rival incluísse na quebra o ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola —contraproposta aceita pela equipe do petista.

Lula e Flávio assinaram nesta quinta-feira (22) um acordo pela quebra mútua de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e os de seus familiares. As informações devem ser disponibilizadas até o fim do dia.

Apesar disso, aliados do presidente ainda duvidam que o senador vá abrir suas informações e afirmam que ele deixou de fora da quebra uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz com a qual teria relação.

Na autodeclaração de bens exigida para registro da candidatura na Justiça Eleitoral, Flávio Bolsonaro afirmou ter R$ 8,18 milhões. Em 2018, quando foi eleito ao Senado, o postulante declarou R$ 1,74 milhão (em valores nominais, sendo R$ 2,64 milhões com correção pelo IPCA). A quantia também é a maior entre os candidatos da família Bolsonaro que concorreram em 2026, todos pelo PL.

Atrás de Flávio estão Michelle Bolsonaro (R$ 4,5 milhões), eleita senadora pelo Distrito Federal; Carlos Bolsonaro (R$ 2,78 milhões), eleito senador por Santa Catarina; Rogéria Bolsonaro (R$ 790 mil), que ficou como suplente da Câmara pelo Rio de Janeiro; Renato Bolsonaro (R$ 269 mil), eleito deputado federal por São Paulo; e Jair Renan Bolsonaro (R$ 187 mil), eleito deputado federal por Santa Catarina.

O aumento se deve à compra de uma casa de R$ 6,2 milhões em um bairro de luxo de Brasília. O restante é composto por investimento em fundos, aplicações em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e poupança, saldo em contas bancárias, um veículo e participações societárias em empresas.

A campanha disse que o parlamentar quitou o imóvel com o salário de senador (R$ 46.366,19 na remuneração bruta e R$ 33.912,13 após os descontos de Imposto de Renda e contribuição ao INSS, o Instituto Nacional do Seguro Social) e a atividade de advocacia, além de contar com a renda da esposa, que tem um consultório odontológico na capital federal.

O presidente Lula afirmou ter R$ 4,77 milhões ao registrar sua candidatura. Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto, ele declarou R$ 7,42 milhões (em valores nominais, sendo R$ 8,9 milhões com correção pelo IPCA).

A declaração do mandatário conta com planos de previdência privada em VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) que somam R$ 3,3 milhões, R$ 94,5 mil referentes a 50% de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP) e, na mesma cidade, uma casa em construção, um terreno e partes de outras duas áreas.

Há também um veículo, aplicações em CDBs e poupança e saldos de contas bancárias. Os principais fatores da queda são os planos de previdência privada: em 2022, o petista contava com R$ 5,5 milhões em VGBLs.

O objetivo da prestação de contas nas eleições não é fiscal, como no Imposto de Renda. A finalidade é dar transparência para que os eleitores possam comparar os valores informados à Justiça Eleitoral.

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