O ex-vereador de Taubaté Marcelo Macedo, que desde 2025 ocupa um cargo comissionado na Prefeitura, na gestão do prefeito Sérgio Victor (Novo), é investigado pelo Ministério Público por suspeita de improbidade administrativa, por suposto enriquecimento ilícito.
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A investigação teve início ainda no ano passado. Em novembro de 2025, diante dos fatos descobertos, o MP chegou a recomendar que Sérgio exonerasse Macedo do cargo que ocupava na Prefeitura. A recomendação, no entanto, não foi aceita.
Nessa sexta-feira (16), a reportagem questionou a Prefeitura e o ex-vereador sobre o caso. Sobre a recomendação, a Prefeitura afirmou que, "como não há conclusão da própria Promotoria que confirme a investigação, optou por manter o profissional, que preenche todos os requisitos legais e técnicos para a nomeação". Macedo não havia se pronunciado até a publicação do texto. O espaço segue aberto.
Apuração apontou 'acréscimo patrimonial significativo'
No inquérito, que tramita em sigilo, o Caex (Centro de Apoio Operacional à Execução), que é um órgão técnico que auxilia o MP, analisou as declarações de Imposto de Renda do ex-vereador, referentes ao período de 2019 a 2023, além de outros documentos que, segundo a Promotoria, seriam "reveladores de riqueza (aquisição e edificação de imóveis)".
Pelo levantamento, Macedo adquiriu seis imóveis entre 2010 e 2018, recebeu um sétimo imóvel de doação em 2019 e comprou um oitavo imóvel em 2021, de R$ 800 mil, por meio de financiamento. Até o fim do ano passado, quando fez a recomendação de exoneração ao prefeito, o MP não havia obtido as informações de rendimentos do ex-vereador referentes ao período anterior a 2019, "o que impossibilita a verificação da origem dos recursos utilizados nas aquisições anteriores a esse período, comprometendo a análise da compatibilidade entre renda e patrimônio acumulado até então".
Em 2019, segundo o MP, "observou-se um acréscimo patrimonial significativo". Naquele ano, cinco imóveis foram adicionados ao capital da empresa Bruscato Holding, que tem sede em Pindamonhangaba e tem Macedo e a esposa dele como sócios.
Em 3 anos, patrimônio cresceu R$ 1 milhão a mais do que renda permitia
Em 2019, pelo levantamento da Promotoria, Macedo teve "uma variação patrimonial superior à renda líquida disponível declarada, gerando um déficit" de R$ 905 mil. Em 2021, foi observado novo déficit, dessa vez de R$ 154 mil. Ou seja, em três anos, o patrimônio do ex-vereador teria crescido R$ 1,059 milhão a mais do que a renda dele permitiria.
Ainda de acordo com o MP, descobriu-se posteriormente que Macedo "adquiriu, ainda, um terreno e edificou um imóvel residencial" em um condomínio de alto padrão em Taubaté, "além de ostentar outros sinais exteriores de riqueza, como a posse de veículos importados".
De acordo com a Promotoria, Macedo foi procurado para "demonstrar a licitude da origem dessa evolução patrimonial", mas teria deixado de apresentar uma série de documentos solicitados pelo MP, como "extratos bancários do período (inclusive da Bruscato Holding), contratos e comprovantes de pagamento relativos às construções, relação de veículos à disposição da família, e escritura e recibos da residência" no condomínio de alto padrão.
Para MP, Macedo não deveria seguir na Prefeitura
Na recomendação feita ao prefeito em novembro de 2025, o MP afirmou que o enriquecimento ilícito configura improbidade administrativa, e que "o patrimônio incompatível é a forma residual encontrada" pela legislação sobre o tema "para punir o agente público desonesto, que buscou o serviço público para enriquecer".
Na ocasião, a Promotoria argumentou que, embora as investigações ainda estivessem em curso, tornava-se "impossível, diante das circunstâncias, sustentar" que Macedo reunia "os atributos de natureza subjetiva necessários ao exercício das funções de chefia, direção ou assessoramento, típicas de um cargo em comissão, cujo titular deve gozar da confiança, isto é, da crença na probidade moral, na sinceridade e na lealdade por parte da autoridade nomeante".
Segundo apuração da reportagem, passados 11 meses da recomendação, que não foi aceita pelo prefeito, as investigações do MP ainda não foram concluídas.
Na Prefeitura, salário é de R$ 12,3 mil
Marcelo Macedo é advogado e atuou na Polícia Civil antes de ingressar na política. Disputou três eleições para vereador: em 2016, pelo PSD, não foi eleito; em 2020, pelo MDB, foi eleito, e atuou na Câmara de 2021 a 2024; e em 2024, pelo MDB, não foi reeleito.
Macedo teve relação de proximidade com os últimos três prefeitos de Taubaté. No governo Ortiz Junior (Republicanos), atuou como ouvidor-chefe da Prefeitura em 2013 e depois seguiu como diretor de Desenvolvimento e Inovação até 2016, quando foi secretário de Desenvolvimento e Inovação no curto período em que Paulo Miranda foi prefeito, quando Ortiz teve o mandato cassado.
De 2017 a 2019, foi assessor na Assembleia Legislativa no gabinete do então deputado estadual Padre Afonso. Em 2021, no primeiro ano como vereador, foi líder do governo José Saud (PP) na Câmara.
Em 2024, no segundo turno da eleição, apoiou Sérgio Victor contra Ortiz Junior. Logo em janeiro de 2025, quando Sérgio assumiu a Prefeitura, foi nomeado para o cargo de secretário adjunto de Serviços Públicos. Depois, passou por mais três cargos: secretário adjunto de Obras, diretor de Projetos e Contratos e diretor do Departamento de Concessionárias (ocupa esse último cargo desde fevereiro de 2026, com salário de R$ 12,3 mil).
Em 8 anos, evolução patrimonial declarada foi de 3.449%
Pelas declarações prestadas à Justiça Eleitoral nos três pleitos que disputou, Marcelo Macedo teve uma evolução patrimonial de 3.449% em apenas oito anos. Na eleição de 2016, por exemplo, declarou patrimônio de R$ 62 mil, composto por cotas de duas empresas e um apartamento em Taubaté.
Na eleição de 2020, Macedo declarou patrimônio de R$ 581 mil, composto por dois imóveis em Taubaté e um apartamento em Ubatuba.
Na eleição de 2024, o ex-vereador declarou patrimônio de R$ 2,2 milhões, composto por dois imóveis em Taubaté, um apartamento em Ubatuba e cotas da empresa Bruscato Holding.