ATRASADOS

São Paulo recorreu a fundo criado por Casares para pagar salários

Por Valentin Furlan | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Rubens Chiri/SPFC
Luciano disse que 'nunca recebeu salário em dia' desde que chegou ao clube
Luciano disse que 'nunca recebeu salário em dia' desde que chegou ao clube

O São Paulo recorreu ao FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) administrado pela Galápagos, para conseguir dinheiro e pagar os salários em carteira que estavam atrasados. O movimento foi necessário por causa da dificuldade de fluxo de caixa enfrentada pelo clube.

Criado na gestão Julio Casares, o FIDC funciona, na prática, como uma operação de crédito. O fundo capta recursos com investidores e antecipa ao São Paulo valores que o clube teria a receber no futuro, como receitas de direitos de transmissão, patrocínios e naming rights.

O clube antecipa valores que teria a receber no futuro e, em troca, paga custos pela operação. Ou seja, o dinheiro não faz parte do caixa próprio do clube.

Nos últimos meses, o clube também passou a recorrer a linhas de crédito de outras instituições financeiras, como Tricury e Daycoval.

O uso de diferentes fontes de crédito ocorre em meio à dificuldade do São Paulo para manter o fluxo de caixa e honrar compromissos no curto prazo. O clube vem enfrentando uma sequência de problemas financeiros, que também atingiu o futebol.

Um dos exemplos mais recentes foi o transfer ban imposto pela Fifa por causa de uma dívida com a Lazio pela contratação de Marcos Antônio. O São Paulo precisava pagar cerca de R$ 6 milhões ao clube italiano para liberar o registro de novos jogadores. À época, fontes afirmaram ao UOL que o clube precisou esperar a virada do mês para reunir os recursos e quitar o compromisso.

A situação também se reflete nos pagamentos ao elenco. O São Paulo acumula atrasos nos direitos de imagem, com jogadores que ainda não receberam valores referentes a 2026 e casos de dívidas antigas que continuam pendentes.

O atraso no salário em carteira de agosto foi o primeiro registrado durante a gestão de Harry Massis Júnior e provocou descontentamento no elenco. Embora o valor tenha sido posteriormente quitado, os atrasos e promessas de regularização não cumpridas aumentaram a desconfiança dos jogadores em relação à diretoria.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa do presidente Harry Massis Júnior, que, até a publicação, não se manifestou. A matéria será atualizada em caso de manifestação.

Crise afetou o futebol

Os atrasos nos pagamentos ampliaram o desgaste entre o elenco e seus estafes com a diretoria do São Paulo. Fontes ouvidas pela reportagem relataram um ambiente de desconfiança no CT diante dos compromissos financeiros não cumpridos pela gestão Harry Massis Júnior.

A fala de Luciano após a eliminação, ao afirmar que "nunca recebeu salário em dia" desde que chegou ao clube, jogou luz na situação, que vinha sendo tratada internamente.

O goleiro Rafael também reconheceu que os atrasos incomodaram os jogadores. Na zona mista após a vitória deste final de semana sobre o Internacional, afirmou que a situação financeira "incomoda todo mundo".

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