A suspensão das importações de carne bovina e outros produtos de origem animal do Brasil pela União Europeia começa nesta quinta-feira (3), mas a medida não deve reduzir os preços da carne no mercado brasileiro. Segundo o analista Fernando Enrique Iglesias, da Safras & Mercado, ouvido pelo G1, a participação europeia nas exportações brasileiras é pequena para provocar uma queda nos valores.
Em 2025, a União Europeia respondeu por 3,7% do volume e 5,8% do valor das exportações brasileiras de carne bovina. O bloco compra principalmente cortes de maior valor, como filé mignon, contrafilé, alcatra e coxão mole.
A tendência apontada pelo analista é de alta dos preços até o fim do ano. O cenário combina a menor disponibilidade de bois para abate com a retomada dos embarques para a China. A redução das exportações brasileiras para o mercado chinês em julho e agosto deve ser temporária, com a previsão de aumento dos abates destinados à China a partir de outubro.
Para 2026, a China estabeleceu cota de 1,1 milhão de toneladas para as importações de carne bovina brasileira. Dentro desse limite, a tarifa é de 12%. Acima da cota, incide uma taxa adicional de 55%. Como o transporte até os portos chineses leva de 45 a 60 dias, os embarques realizados no fim do ano devem contribuir para o volume exportado em 2027.
Os preços das carnes já acumulam alta de 8,53% na prévia da inflação de agosto, segundo o IBGE. Entre os cortes nobres, o filé mignon subiu 15,2% e o contrafilé, 11,5%.
Por que a União Europeia suspendeu as compras
A UE anunciou a suspensão após excluir o Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco para o uso de antimicrobianos na pecuária. A decisão não foi motivada por irregularidades encontradas na carne, mas pela avaliação europeia de que os controles brasileiros sobre essas substâncias são insuficientes.
A suspensão também afeta frango, carne suína, mel, pescados e ovos. O governo brasileiro negocia a reversão da medida e apresentou um novo protocolo de controle, que prevê o rastreamento dos animais desde o nascimento até o abate.
A União Europeia realiza nesta semana uma auditoria nas cadeias brasileiras de produção de frango e mel. O resultado ainda será analisado pelas autoridades do bloco.
Mesmo com uma eventual reversão da decisão, a retomada das exportações de carne bovina para a UE levaria pelo menos dois anos para ocorrer, devido ao período necessário para que os animais cumpram as novas exigências.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera o mercado europeu estratégico por concentrar a compra de cortes nobres e de maior valor agregado. A entidade informou que trabalha com o governo brasileiro para restabelecer as exportações.
Com informações do g1.