A vereadora Mariana Conti (PSOL) afirmou nesta quarta-feira (5) ter recebido mais de uma hora de gravação de reuniões envolvendo Vini Oliveira (Cidadania) e o proprietário de uma empresa ligada ao consórcio vencedor da licitação do transporte coletivo de Campinas.
- Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.
A informação foi divulgada nas redes sociais após o encerramento da fase de instrução da Comissão Processante que investiga Vini por possível quebra de decoro parlamentar. Mariana é a autora da denúncia que deu origem ao procedimento.
Segundo a vereadora, o material foi entregue por representantes legais do jornal Correio Popular. Ela informou que sua equipe ainda analisa o conteúdo e que a gravação será encaminhada ao Ministério Público.
Mariana publicou um trecho um pouco mais longo de uma cena que já havia sido parcialmente divulgada pela imprensa. Na gravação, o empresário comenta o resultado do leilão do transporte e fala sobre a influência política que esperava exercer depois da vitória.
A vereadora atribuiu ao conteúdo indícios de tráfico de influência e afirmou que Vini teria negociado atuação política em favor do empresário em troca de apoio financeiro para campanhas. As declarações representam a interpretação da denunciante e ainda precisarão ser confrontadas com o vídeo integral, com a manifestação da defesa e com eventuais análises das autoridades competentes.
“Hoje eu recebi de representantes legais do Jornal Correio Popular mais de uma hora de gravação das reuniões entre o vereador Vini Oliveira e o empresário que ganhou a licitação bilionária do transporte público na cidade de Campinas”, declarou Mariana.
A parlamentar também disse que pretende disponibilizar posteriormente a íntegra do material ao público.
Vídeo surge após fim das oitivas

Reprodução/Instagram
A divulgação ocorre depois de uma fase de instrução na qual nenhuma testemunha de acusação ou de defesa prestou depoimento.
Na segunda-feira (3), as seis testemunhas indicadas por Mariana não compareceram à Câmara. No dia seguinte, a defesa abriu mão de ouvir os dois assessores arrolados e também dispensou o depoimento pessoal de Vini Oliveira.
O único participante ouvido foi Ricardo Molina, assistente técnico indicado pela defesa. Em videoconferência, ele afirmou que os vídeos divulgados até então pela imprensa apresentavam cortes e edições e contestou seu uso como prova sem acesso aos arquivos originais e ao conteúdo completo.
A comissão também não havia obtido a íntegra das gravações. O colegiado chegou a solicitar os vídeos a veículos de comunicação, mas reconsiderou a decisão após parecer da Procuradoria da Câmara.
Entenda o caso
A CP foi aberta após a divulgação de imagens que mostram Vini Oliveira em uma reunião com representantes da Smile Transportes, empresa ligada a um dos grupos vencedores da licitação do transporte coletivo.
Em outro trecho, o vereador aparece deixando a sede da empresa com uma caixa preta na qual foram colocados envelopes.
Vini nega ter recebido dinheiro ou qualquer vantagem indevida. O parlamentar afirma que os envelopes continham documentos e mídias com informações relacionadas ao transporte público.
Proibição de animais como brindes

Divulgação/CMC
A Câmara de Campinas aprovou, em primeira discussão, um projeto que proíbe a distribuição de animais como brindes, prêmios ou recompensas no município.
A proposta foi analisada durante a 41ª Reunião Ordinária, realizada nesta quarta-feira (5), e ainda precisa passar por nova votação antes de seguir para sanção do Executivo.
O texto é um substitutivo ao Projeto de Lei nº 37/2025, de autoria do vereador Hebert Ganem (Podemos), e altera o Estatuto de Proteção, Defesa e Controle das Populações de Animais Domésticos de Campinas.
Segundo o autor, a medida busca impedir que animais sejam tratados como objetos em promoções, sorteios ou ações comerciais. “Quem quiser ter qualquer animal precisa ter consciência que o animal é uma vida e precisa ser cuidado e jamais tratado como um objeto”, afirmou Ganem.
Multas e apreensão
Quem descumprir a futura legislação poderá receber multa de 1.500 a 3.800 UFICs. O valor será definido conforme a gravidade da infração, a conduta do responsável, sua condição econômica e os efeitos provocados.
O projeto também autoriza a apreensão dos animais envolvidos na irregularidade. No caso de empresas, as punições poderão incluir a cassação da inscrição municipal e do alvará de funcionamento.
As sanções poderão ser aplicadas de forma cumulativa e sem necessidade de seguir uma ordem progressiva. Em caso de reincidência em período inferior a dois anos, a multa será dobrada.
As penalidades municipais não impedem a adoção de outras medidas previstas nas legislações civil, penal e administrativa.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br