VIOLÊNCIA

Corpo de mulher morta pelo marido é encontrado ao lado de bebê

Por Aléxia Sousa | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Karen Aparecida Ferreira Rosa, 44, foi morta pelo marido
Karen Aparecida Ferreira Rosa, 44, foi morta pelo marido

Um homem de 41 anos foi preso em flagrante no domingo (5) sob suspeita de matar a companheira estrangulada dentro da residência do casal em Cataguases, na Zona da Mata mineira.

Na segunda-feira (6), a Justiça de Minas Gerais converteu a prisão em flagrante de João Vitor Silva Coleta da Matta em preventiva (sem prazo).

Segundo a decisão judicial, após ser localizado durante buscas policiais, João Vitor afirmou espontaneamente aos agentes que havia estrangulado a companheira.

Conforme o documento, ele disse que matou Karen Aparecida Ferreira Rosa, 44, após ser acordado por ela e alegou que a vítima o teria atingido no rosto com um aparelho celular. O exame de corpo de delito, porém, não constatou lesões no investigado, conforme registra a decisão.

Procurada pela Folha, a Defensoria Pública de Minas Gerais, responsável pela defesa de João Vitor, informou que não comenta casos criminais específicos, exceto críticas sobre a atuação do órgão.

Segundo a Polícia Militar, a vítima foi encontrada morta na sala da residência do casal. Segundo o boletim de ocorrência, uma das filhas do casal, uma bebê de 1 ano, mamava no peito da mãe quando familiares chegaram ao imóvel.

Um menino de 2 anos, também filho do casal, dormia em um dos quartos da casa. As duas crianças ficaram sob os cuidados de familiares.

Ainda conforme a PM, o suspeito telefonou para a própria irmã pouco depois do crime e pediu que ela fosse até a residência verificar as crianças, dizendo que havia feito uma "merda". Em seguida, deixou o local.

O homem foi localizado na tarde de domingo após buscas realizadas pelas forças de segurança. Segundo a decisão judicial, ele fugiu para uma área de mata e foi encontrado durante diligências que mobilizaram diversas equipes policiais e contaram com o uso de um drone.

Em nota, a Polícia Civil informou que ratificou a prisão em flagrante do suspeito. A perícia esteve no local e realizou os trabalhos de praxe. O caso segue sob investigação da Delegacia de Cataguases.

Ao converter a prisão em flagrante em preventiva, a juíza Priscila Carvalho de Andrade afirmou que há indícios suficientes da autoria e da materialidade do crime, além de risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.

Segundo a decisão, testemunhas relataram que, na noite do crime, o casal discutiu devido a mensagens em um aplicativo de celular.

Os depoimentos também apontam que agressões do suspeito contra a companheira eram frequentes e que, desde que o casal retornou de Belo Horizonte, cerca de três meses antes, ela havia sido agredida pelo menos uma vez.

A magistrada destacou ainda que João Vitor já havia sido preso em flagrante em setembro de 2023 pelos crimes de lesão corporal e injúria no contexto de violência doméstica contra a mesma vítima.

Na ocasião, ele obteve liberdade provisória. Conforme a decisão, o feminicídio também teria sido praticado enquanto ainda havia um inquérito policial em andamento relacionado ao caso anterior.

A juíza também considerou a fuga do investigado logo após o crime, a gravidade da conduta -descrita na decisão como asfixia mecânica por estrangulamento -- e o fato de o homicídio, em tese, ter ocorrido na presença dos dois filhos pequenos do casal.

Para a magistrada, essas circunstâncias demonstram a necessidade da prisão preventiva para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal.

A decisão determina ainda que o Conselho Tutelar acompanhe a situação dos dois filhos do casal e adote as medidas de proteção cabíveis.

Karen Aparecida foi sepultada no domingo (5), no Cemitério Municipal de Cataguases.

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