CULINÁRIA

Creme de papaya

Por Sonia Machiavelli | especial para a Rede Sampi
| Tempo de leitura: 2 min

Ingredientes

  • 1 mamão papaya  grande
  • 4 bolas de sorvete de baunilha
  • 4 colheres (sopa) de licor de cassis
  • Folhinhas de hortelã para decorar

O creme de papaya com cassis é sobremesa brasileiríssima, que agrada muito aos turistas que nos visitam. Vi por esses dias um vídeo circulando na Internet onde falante de língua inglesa celebra as delícias da mesa brasileira e elege “aquele doce de mamão com bebida alcoólica em cima” como “a melhor sobremesa do mundo”. Criada nos anos 80 pelo jornalista e colunista gastronômico Silvio Lancelotti para um restaurante paulistano, ela vem atravessando o tempo e conquistando gerações.

A receita aproveita a abundância da fruta em nosso país e a sofisticação da bebida de origem francesa, criando mistura refinada. Feito com apenas três ingredientes, é um clássico fácil de preparar e bastante comum em churrascarias. Aliás, existe uma razão biológica para a onipresença dessa sobremesa em rodízios: o mamão contém uma enzima chamada papaína que auxilia na quebra das proteínas da carne, facilitando a digestão após uma refeição pesada.

O segredo do creme perfeito reside na qualidade dos ingredientes e no contraste de densidades. Não se trata apenas de “bater tudo no liquidificador”; é preciso alcançar a emulsão perfeita. O mamão deve estar no ponto exato de maturação: se verde, faltará doçura; se maduro demais, alterará o sabor final. O uso de um sorvete de qualidade eleva a sobremesa de “comida de buffet” para alta gastronomia. E o licor, geralmente usado em temperatura ambiente ou levemente resfriado, corta a doçura excessiva do sorvete com sua acidez frutada.

Para que o creme não derreta instantaneamente, o preparo precisa ser na hora de servir. Mas há cuidados prévios a serem tomados. O mamão deve ser descascado, cortado em cubos e mantido no congelador por vinte minutos. Depois, colocado com o sorvete no liquidificador ou processador. Bate-se na função pulsar. O objetivo é uma mistura homogênea, mas ainda firme. Coloca-se em taças largas levadas à geladeira com antecedência de uma hora para que estejam bem frias ao acolher o creme. Depois, com as costas de uma colher, cria-se uma pequena depressão no centro do creme e verte-se o licor que deve escorrer pelas bordas, criando o famoso efeito visual marmorizado. Folhinhas de hortelã na decoração reforçam o frescor.

Essa sobremesa é prova de que um item de gastronomia não precisa ser complexo para permanecer décadas no cardápio. Ela sobreviveu ao fim dos anos 90, resistiu às modas gourmet e continua sendo o porto seguro de quem busca uma receita refrescante, elegante e com gosto de celebração.

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