JORGE MESSIAS

Aprovação na CCJ foi a mais apertada desde a redemocratização

Por Evelyn Aires | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Carlos Moura/Agência Senado
Jorge Messias foi aprovado, após oito horas de sabatina
Jorge Messias foi aprovado, após oito horas de sabatina

Após oito horas de sabatina, Jorge Messias foi aprovado pela CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado com 16 votos favoráveis e 11 contrários, cabendo agora ao plenário a decisão final.

Com esse resultado, sua votação registra a maior quantidade de votos contrários na CCJ desde a redemocratização do Brasil, além do placar mais apertado para aprovação. O pior resultado anteriormente havia sido na sabatina de Flávio Dino, que teve 17 votos a favor a 10 contra.

No plenário do Senado, Messias precisa agora do aval de 41 entre 81 senadores na votação secreta.

As sabatinas na CCJ para avaliar e aprovar nomes indicados pelo presidente da República ao STF (Supremo Tribunal Federal) só passaram a ser realizadas de forma pública após a redemocratização do país.

Em 1989, Paulo Brossard foi o primeiro ministro sabatinado e aprovado de forma unânime. Antes dessa data, a indicação presidencial era enviada ao Senado, e a CCJ emitia um parecer apenas documental, sem a inquirição pública dos indicados.

O histórico recente do Senado mostra um aumento no acirramento dessas audiências. Além de Messias, Dino e André Mendonça (18 a 9), outros ministros que enfrentaram alta rejeição na CCJ foram Alexandre de Moraes (19 a 7) e Edson Fachin (20 a 7), seguidos por Gilmar Mendes (16 a 6), Cristiano Zanin (21 a 5) e Kassio Nunes Marques (22 a 5).

No entanto, desde a primeira sabatina, nunca houve uma rejeição formal na CCJ, sendo todos aprovados pela comissão.

Até 2012, as votações costumavam ser na maioria consensuais. Nesse período, apenas 6 dos 22 ministros haviam registrado votos contrários no colegiado: Francisco Rezek (15 a 3), indicado por Fernando Collor; Maurício Corrêa (13 a 2), indicado por Itamar Franco, Gilmar Mendes (16 a 6), indicado por Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Lewandowski (21 a 1) e Dias Toffoli (20 a 3), indicados por Lula, e Rosa Weber (19 a 3), indicada por Dilma Rousseff.

Jorge Messias é o 11º indicado pelo presidente Lula. Todos os ministros escolhidos pelo presidente em seu primeiro mandato foram aprovados na CCJ sem nenhum voto contrário, sendo eles Cezar Peluso (19 a 0), Ayres Britto (20 a 0), Joaquim Barbosa (21 a 0) e Eros Grau (20 a 0). O cenário mudou no terceiro mandato, com as sabatinas mais acirradas de Zanin, Dino e, agora, Messias.

Sem o registro numérico exato divulgado nas atas do Senado na época, os ministros Paulo Brossard, Sepúlveda Pertence e Celso de Mello, indicados por José Sarney, tiveram pareceres aprovados de forma unânime na comissão. Indicados por Fernando Collor, Marco Aurélio e Ilmar Galvão também passaram por unanimidade. Já Carlos Velloso, também escolha de Collor, foi aprovado mediante um "parecer favorável", sem registro oficial de unanimidade no painel.

A ministra Ellen Gracie, indicada por FHC em 2000, foi a primeira mulher a compor a corte do STF. Ela foi aprovada por unanimidade na CCJ (23 a 0) e, no plenário, obteve 67 votos a favor, nenhum contrário e apenas 2 abstenções.

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