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Internações por gripe crescem 92,9% e mortes avançam 10% em 2026

Por Patrícia Pasquini | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Tony Winston/Agência Brasília
A gripe é uma infecção aguda do sistema respiratório
A gripe é uma infecção aguda do sistema respiratório

As hospitalizações por gripe avançam no país. Dados do Ministério da Saúde mostram que até 18 de abril, o Brasil registrou 4.658 internações por infecções causadas pelo influenza e 259 mortes. No mesmo período de 2025, foram 2.414 e 259, respectivamente, um crescimento de 92,9% nos casos que evoluíram para a gravidade e de 10,03% nos óbitos.

Uma das mortes registradas foi a do adolescente de 13 anos, em Sorocaba, no interior paulista. Ele morreu por complicações da gripe, mas não tinha comorbidades, segundo a prefeitura da cidade.

No último ano, quando a imunização foi estendida à toda a população acima de seis meses, o menino não se vacinou. O fato reforça a importância de não subestimar a doença e tomar a vacina.

Grupos de risco, como idosos, crianças, doentes crônicos e imunossuprimidos, são mais suscetíveis ao desenvolvimento de quadros graves e óbitos por Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) associada ao vírus influenza, mas ninguém está livre de complicações.

O mais recente boletim Infogripe, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), aponta que as infecções por influenza A continuam em alta na região Centro-Sul (Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), em alguns estados do Nordeste (Paraíba, Alagoas e Sergipe) e Norte (Amapá, Acre e Rondônia). Há sinais de queda no Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Pará e Rio de Janeiro.

"O que chama muito a atenção neste ano é a antecipação da influenza que normalmente acontece mais para o final de maio, junho. No final de março, começo de abril, os casos de gripe começaram a aumentar bastante. Será que será maior agora e no inverno menor? O cenário ainda é muito incerto para fazermos qualquer prognóstico", diz Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e secretário do Departamento de Imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Para o especialista, o cenário em 2026 é mais preocupante do observado em 2025.

Na opinião de Álvaro Furtado, infectologista e membro da SPI (Sociedade Paulista de Infectologia), as campanhas precisam dialogar com o público-alvo. Ele ressalta que as pessoas com mais de 60 anos e com comorbidades que não querem tomar vacina e não aderem às campanhas são as que internam com influenza grave.

"Chega o momento da circulação do vírus que começa a ter casos graves e a encher o hospital. E isso é uma coisa que preocupa, porque é a população que deveria tomar vacina. As campanhas precisam esclarecer a importância da vacina para proteger contra a gravidade. O que não queremos na população mais vulnerável é internação e morte, hospital cheio e falta de vaga", diz Furtado.

A reportagem perguntou ao Ministério da Saúde se a vacinação será ampliada a todas as pessoas acima de seis meses, a exemplo do que ocorreu em outros anos. O órgão disse apenas que o esquema é prioritário para crianças, gestantes e idosos, grupos mais vulneráveis a hospitalizações e óbitos. Kfouri lembra que cerca de 75% a 80% dos óbitos por gripe acontecem nesses públicos.

O ministério orienta estados e municípios a intensificarem a imunização desses grupos. Uma reavaliação poderá ser realizada de acordo com o cenário epidemiológico e a disponibilidade de doses, diz a pasta.

"É fundamental que esses grupos sejam os primeiros a serem incluídos. É claro que chegamos no meio de maio e a adesão está baixa, com sobra de vacina, vamos proteger mais gente, que é o racional das campanhas. Esse ano vai acontecer de novo a liberação, provavelmente no meio de maio. Ainda não há uma data definida pelo ministério", comenta o vice-presidente da SBIm.

A recomendação de Kfouri para quem não está contemplado pelo esquema do SUS (Sistema Único de Saúde), se possível, se vacinar na rede privada. "Quanto antes, melhor", finaliza.

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza continua até 30 de maio. No Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, a ação é realizada no primeiro semestre do ano. Até 24 de abril, 21,36% do público prioritário nestas regiões foram imunizados. No Norte, por conta do inverno amazônico, ocorre a partir de meados de novembro. Lá, a cobertura de 41,90% é referente à campanha iniciada em 2025. Os dados são do Ministério da Saúde.

A gripe é uma infecção aguda do sistema respiratório. Segundo Álvaro Furtado, na fase inicial o paciente pode apresentar coriza, tosse, dor no corpo, de garganta, de cabeça, mal-estar, febre. Falta de ar, cansaço e sonolência podem ser indícios de influenza grave. Pneumonia, sinusite, otite, desidratação e piora das doenças crônicas estão entre as complicações.

Quem pode se vacinar no SUS no momento?

Além de idosos, crianças de seis meses a menores de seis anos e gestantes podem receber o imunizante:

  • puérperas;
  • trabalhadores da saúde;
  • professores dos ensinos básico e superior;
  • povos indígenas;
  • pessoas em situação de rua;
  • profissionais das forças de segurança e de salvamento;
  • profissionais das Forças Armadas;
  • pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais (independentemente da idade);
  • pessoas com deficiência permanente;
  • caminhoneiros;
  • trabalhadores do transporte rodoviário coletivo (urbano e de longo curso);
  • trabalhadores portuários;
  • funcionários do sistema de privação de liberdade;
  • população privada de liberdade, além de adolescentes e jovens sob medidas socioeducativas (de 12 a 21 anos).

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