WHITE MARTINS

Jacareí tem 1º planta produtora de hidrogênio verde do sudeste

Por Luyse Camargo | Jacareí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/White Martins
White Martins quer fortalecer inovação e pioneirismo
White Martins quer fortalecer inovação e pioneirismo

A White Martins anunciou, nesta quarta-feira (15), o início das operações de sua nova unidade de hidrogênio verde (H2V) em Jacareí. A planta é a primeira do tipo na região Sudeste e a maior do hemisfério sul em capacidade produtiva, consolidando a estratégia da empresa de avançar na oferta de soluções de baixo carbono.

O projeto envolveu 17 meses entre a construção e o início das operações e gerou 450 empregos diretos.

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Hidrogênio verde

O hidrogênio verde é um combustível produzido por meio da eletrólise da água, processo que separa hidrogênio e oxigênio a partir de energia elétrica proveniente de fontes renováveis, como a solar, a eólica e a hidrelétrica.

Por não emitir carbono na produção e no uso, o insumo é considerado uma alternativa sustentável.

Produção

A unidade da White Martins tem capacidade de produzir até 800 toneladas de H2V por ano. Somada à planta de Pernambuco, em operação desde janeiro de 2026, a produção total da empresa atinge 1.000 toneladas anuais.

Deste volume, 80% atenderão a clientes dos segmentos metalúrgico, químico e alimentício nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os 20% restantes serão fornecidos à Cebrace, fabricante de vidros localizada em Jacareí. Devido à proximidade entre as operações, há a expectativa de homologação de um gasoduto dedicado a esse abastecimento.

A substituição do hidrogênio cinza (derivado de combustíveis fósseis) pelo hidrogênio verde deve evitar a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO2 por ano. Somente na operação da Cebrace, a redução estimada é de 1.610 toneladas anuais.

Há expectativa de ampliação da planta e também de instalação de outras dentro das empresas clientes.

Competitividade

A White Martins representa a Linde, maior empresa de gases industriais do mundo, presente em mais de 80 países. A indústria desenvolve sua própria tecnologia e os equipamentos necessários para viabilizar a produção e o transporte do hidrogênio verde, incluindo sua forma líquida, o que viabiliza a produção do H2V e fornecimento a menor custo.

Gilney Bastos, presidente da White Martins no Brasil e da Linde na América Latina, atribui a competitividade do hidrogênio verde produzido pela empresa à capacidade de produção em larga escala pelos projetos e execução própria, pelo capital e pelo preço atual do gás natural.

Apesar do potencial, o presidente afirma que, no momento, o maior interesse da empresa está acima do ganho financeiro do produto. A intenção é se posicionar como precursora dessa inovação e se destacar pelo pioneirismo da indústria na produção de tecnologia própria.

“E nesse momento para nós interessa mais desenvolver o produto do mercado do que cobrar o prêmio por ele. Se esse desenvolvimento se der muito rapidamente e a gente uma vez estando certificado, talvez a gente resolva não, vou cobrar um prêmio. Pode ser, são questões de mercado. Mais importante para nós é que a tradição da Martins seja mantida. Isso não é pouca coisa, não. Nós temos 113 anos aqui no Brasil. A gente sempre trabalhou ao lado da indústria. A gente precisa ter um diferencial contra nossos competidores. Todos os competidores de gases do ar globais estão aqui no Brasil. A White Martins luta contra isso desenvolvendo tecnologia”, afirmou Gilney.

Inovação e desenvolvimento

Segundo o presidente, o que importa é impulsionar o desenvolvimento do mercado no país. “Nós queremos que esse pioneirismo, a que a nossa marca seja associada tanto com confiabilidade quanto com desenvolvimento de produto”, diz. “Nosso interesse é desenvolver a indústria do hidrogênio verde no país.”

A OVALE, o executivo avalia a região do Vale do Paraíba como estratégica devido ao "grande desenvolvimento e ao potencial ambiental”. Ele destaca oportunidades na região, incluindo a própria Cebrace, e afirma que o avanço do setor pode ocorrer mais rapidamente do que o esperado. “E eu, particularmente, acho que o desenvolvimento do hidrogênio verde no país, industrialmente falando, vai ser muito mais rápido do que a gente imagina", afirmou.

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