CRIME ORGANIZADO

PF desmonta esquema de MCs e influencers e prende 5 na região

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação/PF
Operação contra esquema bilionário teve cinco prisões na região de Campinas e envolve artistas e influenciadores.
Operação contra esquema bilionário teve cinco prisões na região de Campinas e envolve artistas e influenciadores.

A ofensiva da Polícia Federal e da Polícia Militar de São Paulo contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas teve desdobramentos diretos na região de Campinas, com cinco pessoas presas em cidades do entorno.

  • Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.

As detenções ocorreram em Itupeva, Jundiaí, Campinas e Bragança Paulista, dentro da chamada Operação Narco Fluxo, que investiga movimentações financeiras superiores a R$ 1,6 bilhão. Em Campinas, uma pessoa foi presa no bairro Vila Marieta.

Entre os alvos da operação estão nomes conhecidos do cenário musical e digital, como MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do MC Chrys Dias, detido em Itupeva. Em Jundiaí, foi preso o influenciador Matheus Magrini, ligado ao grupo investigado.

Como funcionava o esquema

Segundo o delegado da Polícia Federal em Campinas, André Ribeiro, os investigados atuavam diretamente na ocultação de valores do crime organizado, utilizando a exposição pública como ferramenta para dar aparência legal ao dinheiro.

“Eles atuavam aí na ocultação dos valores do crime organizado. [...] Essas pessoas estavam auxiliando as organizações criminosas com a introdução dos valores em meio a questões artísticas, a influenciadores digitais”, afirmou.

O delegado explicou que o grupo utilizava contratos simulados, cachês fictícios e aquisição de bens em nome de terceiros para dar aparência lícita ao dinheiro.

“São tipologias da lavagem de dinheiro. Você simular contratos, simular cachês, comprar bens em nome de terceiros são formas de dar uma aparência à legalidade aos valores que, na verdade, são oriundos do crime”, detalhou.

As investigações apontam que os recursos tinham origem principalmente no tráfico internacional de drogas, sendo inseridos no sistema financeiro com aparência de receita obtida por atividades artísticas e digitais.

Integração das forças de segurança

O comandante da Polícia Militar na região, Leonardo Takahashi, destacou que as prisões na região são resultado de um trabalho conjunto de inteligência.

“Hoje nós temos formalizado a nossa Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na região de Campinas. Esse trabalho é constante, com inteligência e repressão ao crime organizado”, afirmou.

A operação mobilizou cerca de 200 policiais federais e equipes do 1º BAEP, que atuaram no cumprimento de mandados de prisão e busca.

Durante as ações, foram apreendidos veículos, dinheiro, equipamentos eletrônicos e outros bens de alto valor, que agora integram o conjunto de provas da investigação.

Ramificações e alcance

A investigação é considerada um desdobramento de outras operações que já vinham monitorando uso de plataformas digitais e atividades artísticas para lavagem de dinheiro.

Na região de Campinas, as prisões reforçam a presença dessas estruturas fora dos grandes centros, com atuação em cidades estratégicas para logística e circulação de recursos.

Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e permanecem à disposição da Justiça enquanto as apurações avançam.

Comentários

Comentários